Professor de Serpa vai à manifestação de bicicleta.

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Professor de Serpa volta a fazer a viagem em bicicleta até Lisboa para participar na Manifestação Nacional de Professores

“15 anos depois e tudo na mesma!”

O professor da Escola Secundária de Serpa, Carlos Azedo, desloca-se à Manifestação Nacional dos Professores no dia 11 de fevereiro viajando de Serpa a Lisboa em bicicleta.

O professor Carlos Azedo conta partir às 6 horas da manhã e seguirá o seguinte percurso: Beja-7h / Canal Caveira, paragem para o pequeno almoço-9.30h / Grandola-11h /Troia-12h / Setúbal-13.30 / Cacilhas- 14.30h.

Em 2008 o professor Carlos Azedo efetuou uma viagem semelhante para participar na Manifestação Nacional de Professores. Agora, com 62 anos, volta a participar noutra Manifestação com o lema: “15 anos depois e tudo na mesma!”.

Esta viagem tem por missão conquistar a SIMPATIA da opinião pública para a causa dos professores: “acho que sou a pessoa ideal para tal missão: trabalhador, desportista, e outras coisas…. No entanto, não é a SIMPATIA que nos paga as contas!”

Um dos aspetos que quer denunciar é o facto de a escola ter-se tornado numa PEDOCRACIA=PEDAGOGIA BUROCRÁTICA, onde reina a inconsequência dos atos.

É impensável qualquer docente acompanhar a avalanche de papéis que chegam à escola, e-mails a toda a hora e projetos e mais projetos incongruentes.

A degradação das condições de trabalho dos professores verifica-se, entre outros aspetos, na estagnação dos seus salários desde 2009 e na perda de poder de compra que já atinge os 25%.

Nesse ano um professor em início de carreira ganhava 2 salários mínimos, hoje ganha 1,5. Outro problema é a precaridade e a instabilidade laboral, levando os mesmos a ter de percorrer todo o país durante muitos anos até conseguir efetivar numa escola – é a conhecida “casa às costas”.

Neste momento o Ministério da Educação tem uma nova proposta, que se for aprovada levará a instabilidade também aos professores mais velhos que já estão efetivos numa escola.

Todos aqueles professores que tiverem insuficiência de componente letiva poderão ter de lecionar em várias escolas em 4 ou 5 concelhos (os novos QZP). Portanto, o professor transformar-se-á num “caixeiro viajante do ensino”, sem que o Ministério da Educação queira pagar os custos da deslocação e o desgaste emocional que esta situação acarreta.

O futuro do país está em causa, pois a profissão de professor deixou de ser atrativa. Quem vão ser os professores do futuro?

Neste momento faltam já milhares de professores nas escolas e baixou-se a fasquia da formação dos poucos que estão a chegar neste momento às escolas.

Outro aspeto de cariz local que pretende denunciar é o facto de a Escola Secundária de Serpa estar muito degradada, aguardando obras há dezenas de anos.

A paixão pela educação desapareceu e uma prova disso é o facto das despesas do Estado na Educação em % do PIB terem baixado de 6,7% em 2010 para 4,5% em 2019. No interior do país esta situação é ainda mais gritante, demostrativa da indiferença a que é votado.

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