Artes
Professor de Odemira vence prémio literário
Miguel Correia, escritor e professor de Filosofia no Alentejo, venceu o Prémio Literário «António Mendes Moreira», promovido pela Câmara Municipal de Paredes.
Miguel Correia vence Prémio Literário António Mendes Moreira
Professor de Odemira vence prémio literário na terra natal
Miguel Correia, escritor e professor de Filosofia no Alentejo, venceu o Prémio Literário «António Mendes Moreira», promovido pela Câmara Municipal de Paredes, com o texto A Madeira Também Aprende a Ser Livre. O prémio foi entregue ontem, 30 de outubro, na Biblioteca Municipal de Paredes, pela vereadora da Cultura, Dr.ª Beatriz Meireles. Natural de Lordelo, no concelho de Paredes, o autor vive e ensina no Alentejo há cerca de doze anos, e é aí que situa a maior parte da sua ficção.
As carreteiras e a Constituição de 1976
O tema desta edição era «A Mulher e a Constituição Portuguesa de 1976». Miguel Correia escreveu sobre as carreteiras de Lordelo, de Rebordosa e de outras terras de Paredes: mulheres que transportavam madeira à cabeça e às costas, descalças, curvadas pelo esforço e pelo tempo, sem direitos e sem voz.
“Miguel Correia, autor de «A Rapariga e o Pastor do Crato» e «Depois da Fuga — Os Silêncios de Campo Maior», conquistou o primeiro lugar do Prémio Literário «António Mendes Moreira», em Parede”
O texto cruza esse passado com o princípio da igualdade da Constituição de 1976, que proíbe que alguém seja prejudicado ou privilegiado em razão do sexo. Para as carreteiras, a lei chegou tarde, mas chegou às filhas e às netas. Daqui nasce o título: a madeira que elas carregaram também aprendeu a ser livre.
A história parte de duas personagens do romance O Menino Marceneiro: Maria Albertina, carreteira, e o filho, Francisco. O autor dedica o prémio às carreteiras e a todas as mulheres, às que lutaram para que a igualdade ficasse escrita na lei e às que lutam para que ela saia do papel.
Um mosaico humano do Alentejo, um romance de cada vez
A ideia nasceu de um romance mais longo, iniciado há mais de dois anos, sobre um professor de Filosofia que andava de escola em escola por vários concelhos alentejanos. Desse percurso, muito próximo do do próprio autor, saíram lugares e pessoas que pediam livros próprios. Em vez de um único romance que passasse por todos, Miguel Correia escolheu dar a cada lugar, ou a cada par de lugares, a sua história, curta e fechada, centrada em gente comum. «Não quero construir um catálogo turístico do Alentejo», afirmou na mesma entrevista.
A série abriu com A Rapariga e o Pastor do Crato (2025) e seguiu para Campo Maior e Elvas com Depois da Fuga — Os Silêncios de Campo Maior (2026), sobre uma filha que regressa à terra de onde fugiu com a mãe, vítima de violência doméstica. Estão em preparação livros passados na Aldeia da Luz e em Ponte de Sor.
As mulheres atravessam estes livros como atravessam o texto agora premiado. Das carreteiras de Paredes às mulheres que, no Alentejo, guardam silêncios que não escolheram, a escrita de Miguel Correia volta sempre a quem carrega o peso sem ter voz.
«O Menino Marceneiro» e o regresso às origens
O prémio chega duas semanas depois de o autor ter apresentado O Menino Marceneiro na terra natal. A sessão decorreu a 10 de outubro na Junta de Freguesia de Lordelo, numa sala decorada como uma oficina antiga, e reuniu mais de cem pessoas. O romance acompanha a vida de Francisco, da infância numa aldeia de marceneiros até à velhice, e nasceu das histórias contadas pelo pai do autor.
Sobre o autor
Miguel Correia é o nome literário de António Miguel Barbosa Correia, natural de Lordelo (Paredes). Foi marceneiro, operador de supermercado, administrativo e empresário do setor do mobiliário antes de se dedicar ao ensino. Chegou ao Alentejo há cerca de doze anos como professor de Educação Especial e ensina hoje Filosofia e Psicologia. É doutorado em Ciências da Educação e autor de Autismo e Atraso de Desenvolvimento (2014).
Obras de ficção publicadas:
- A Rapariga e o Pastor do Crato (2025)
- Depois da Fuga — Os Silêncios de Campo Maior (2026)
- O Menino Marceneiro (2026)
Os livros estão à venda na Amazon e na BookMundo, e podem ser encomendados ao autor.


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