PORTALEGRE
Festival Terras sem Sombra estreia-se em Portalegre
No ano em que se estreia neste concelho de feição singular, o Festival apresenta um programa de assinalável amplitude: um concerto consagrado à música europeia para um nada vulgar duo de violinos, uma aproximação à cidade através do seu património artístico e um percurso pela Serra de São Mamede.
Terras sem Sombra estreia-se em Portalegre:
«A Geometria dos Sons»: uma cartografia da Europa musical, por dois violinos
O Festival Terras sem Sombra estreia-se em Portalegre, a 17 e 18 de outubro, numa iniciativa em parceria com o Município que tem como epicentro o concerto «A Geometria dos Sons: Obras para Dois Violinos», pelo Polish Violin Duo, formado por Marta Gidaszewska e Robert Łaguniak.
Portalegre acrescenta ao mapa do Festival Terras sem Sombra (TSS) uma geografia menos previsível do Alentejo: de altitude, com recortes rochosos, oferecidos pela proximidade da Serra de São Mamede e a decorrente teia de relações da ocupação humana com este marco natural.
No ano em que se estreia neste concelho de feição singular, o Festival apresenta um programa de assinalável amplitude: um concerto consagrado à música europeia para um nada vulgar duo de violinos, uma aproximação à cidade através do seu património artístico e um percurso pela Serra de São Mamede que tem por epicentro a diversidade dos seus ecossistemas e microclimas.
A geometria dos sons: dois violinos, muitas geografias
Na tarde de domingo, 18 de outubro (16h00), o Auditório do Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino recebe «A Geometria dos Sons: Obras para Dois Violinos», pelo Polish Violin Duo, formado por Marta Gidaszewska e Robert Łaguniak. O programa percorre um amplo arco temporal, do século XVIII à criação contemporânea, com forte presença da música polaca e incursões por outras geografias da Europa Central, sem descurar a criação portuguesa.
Entre autores de referência como Grażyna Bacewicz, Henryk Wieniawski e Romuald Twardowski surgem compositores contemporâneos como Anna Rocławska-Musiałczyk e András Derecskei. A esta cartografia sonora acrescenta-se a memória de um notável português: o Abade António da Costa (1714-c. 1780), de quem será interpretada a primeira parte do Dueto em Sol bemol maior. Violinista, compositor, guitarrista e epistológrafo, foi uma das personalidades mais singulares da música portuguesa setecentista, com um percurso cosmopolita que o levou de Portugal a Roma, Veneza e Viena. A originalidade da sua escrita e da sua prática instrumental despertou a atenção de vultos como Charles Burney e Giuseppe Tartini.
Fundado em 2014, o Polish Violin Duo dedica especial atenção à música para dois violinos e à recuperação de repertórios menos frequentados, sobretudo da tradição polaca. Marta Gidaszewska e Robert Łaguniak somam cerca de 200 distinções em concursos internacionais e conquistaram o 1.º Prémio na categoria de Ensembles de Câmara do International Polish Music Competition. Um álbum dedicado a Bacewicz, Paciorkiewicz, Spisak e Weinberg foi nomeado para os Fryderyki; em 2025, o duo editou Interweave, consagrado a compositores húngaros e checos.
Portalegre: usos, permanências e transformações da cidade
Na tarde de sábado, 17 de outubro (15h00), a atividade «Portalegre, Cidade Viva: O Património Cultural e o Quotidiano» propõe uma leitura através de marcas distintivas do passado e dos usos que sucessivamente lhes foram atribuídos. A visita, com ponto de encontro na Sé (Praça do Município), propõe uma abordagem à cidade como palimpsesto histórico, na sua continuidade de usos, na transformação funcional dos edifícios e na convivência entre património religioso, civil e industrial.
José Régio, que aqui viveu durante mais de três décadas, fixou a ligação entre cidade e território na abertura da Toada de Portalegre: «Em Portalegre, cidade / Do Alto Alentejo, cercada / De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros». Essa espessura histórica torna-se particularmente legível no castelo e no antigo recinto amuralhado, no Convento de Santa Clara, no Convento de São Bernardo e no conjunto de São Francisco e da antiga Fábrica Robinson.
Serra de São Mamede: uma geografia de singulares microclimas
A Serra de São Mamede introduz uma rutura nítida na paisagem do Alto Alentejo. Ao atingir os 1025 metros, eleva-se o suficiente para alterar temperaturas, humidade, exposição aos ventos e distribuição da precipitação, o que cria condições ecológicas distintas das áreas envolventes. É essa diversidade que está no centro da atividade «Concentrações e Refúgios de Biodiversidade na Serra de São Mamede: Do Hilltopping à Fauna e Flora Finícolas», no domingo, 18 de outubro (09h30), tem como ponto de encontro o Plátano Centenário (Jardim da Avenida da Liberdade).
Plantado em 1838 pelo botânico José Maria Grande, este exemplar é um dos mais antigos e monumentais símbolos de Portalegre, com cerca de sete metros de perímetro de tronco e uma copa de grandes dimensões. Classificado como Árvore de Interesse Público desde 1938, é apontado como um dos maiores plátanos da Península Ibérica.
• A atividade dedicada ao património, a 17 de outubro (15h00), subordina-se ao tema «Portalegre, Cidade Viva: O Património Cultural e o Quotidiano», ao propor uma leitura da cidade através das suas sedimentações históricas, da sua transformação e do diálogo entre património religioso, civil e industrial.
A influência atlântica acentua-se nas vertentes mais húmidas, enquanto a sul e a leste predominam condições mediterrânicas. Desta transição resultam mosaicos de matos, montados, manchas florestais, linhas de água, galerias ripícolas que se traduzem em refúgios e vias de circulação para numerosas espécies.
O percurso dará particular atenção aos pontos de conectividade, fundamentais para compreender de que modo populações animais e vegetais se mantêm ligadas entre habitats distintos.
Na sua presença em Portalegre, o TSS conta com a parceria do município local, da Embaixada da República da Polónia e da Polish Chamber Musicians Association. Sublinhe-se também o apoio continuado da Direção-Geral das Artes, do BPI-Fundação «la Caixa» e da CCDR Alentejo. Tal como nas edições anteriores, o Festival tem o Alto Patrocínio da Presidência da República.

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