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Porto de Setúbal inicia a remoção da histórica embarcação “Recordação”

Durante décadas, a embarcação “Recordação” fez parte da vida de quem atravessava o Sado

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Porto de Setúbal inicia a remoção da histórica embarcação “Recordação”

Durante décadas, a embarcação “Recordação” fez parte da vida de quem atravessava o Sado

Quase 20 anos depois de deixar de navegar e ser encalhada e abandonada na Península da Mitrena, a histórica embarcação está a ser finalmente desmantelada, representando assim mais um passo na valorização e qualificação dos espaços sob jurisdição portuária, contribuindo para o reforço das condições de segurança, da operacionalidade das infraestruturas e da sustentabilidade ambiental do Porto de Setúbal.

Há embarcações que acabam por fazer parte da memória do estuário e da cidade. A embarcação “Recordação” é uma delas. Construída em madeira, em 1961, nos estaleiros da Arrentela, a antiga embarcação convencional de transporte de passageiros começou por cruzar o Tejo, ligando o Terreiro do Paço a Cacilhas e transportando diariamente milhares de passageiros. Mais tarde, chegou a Setúbal, onde durante anos assegurou a ligação fluvial a Tróia, tornando-se uma presença familiar nas águas do Sado e nas memórias de várias gerações.

Com a modernização das ligações fluviais e a entrada em operação dos novos catamarãs, em 2008, a “Recordação” deixou de navegar. Desde então, permaneceu encalhada na zona da Mitrena, exposta durante quase duas décadas à ação dos elementos e ao desgaste natural da sua estrutura de madeira.

O Porto de Setúbal iniciou agora a remoção da embarcação, uma intervenção necessária face ao avançado estado de degradação em que se encontra. A condição da estrutura não permite a sua deslocalização enquanto embarcação, pelo que a “Recordação” está a ser trabalhada no próprio local, de forma faseada e controlada. Os trabalhos estão a ser realizados por uma entidade devidamente licenciada e habilitada para o efeito, assegurando o correto tratamento, encaminhamento e valorização dos materiais resultantes.

Antes da operação, a embarcação foi alvo de remoção ambiental por empresa especializada de todos os materiais potencialmente contaminantes, de acordo com as melhores práticas internacionais e com a legislação nacional e europeia. Foi ainda objeto de recolha de elementos para memória histórica.

Ao longo de toda a operação, o Porto de Setúbal acompanha e supervisiona os trabalhos, garantindo o cumprimento dos requisitos de segurança e das medidas de proteção ambiental aplicáveis. Toda a operação foi alvo de prévia aprovação pelas diversas entidades e autoridades competentes que acompanham este processo.

A intervenção vem contribuir para a limpeza e qualificação da margem e para a melhoria das condições de segurança daquele espaço sob jurisdição portuária, há décadas ocupado pelos restos da embarcação.

O Porto de Setúbal continuará a desenvolver iniciativas que promovam uma gestão eficiente, responsável e sustentável do domínio público portuário, em estreita articulação com as entidades competentes e em benefício da comunidade portuária e da região.

Numa fase seguinte, já em preparação, será necessário proceder igualmente à remoção ambiental, por empresas certificadas, dos restantes antigos ferries da Transado – Transportes Fluviais do Sado, S.A., ainda depositados na Mitrena, os quais não dispõem igualmente de condições para navegar até um estaleiro devido ao avançado estado de degradação dos respetivos cascos e que já foram objeto de limpeza de todos os materiais potencialmente contaminantes.

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