Saúde
Mais de um terço dos estudantes de medicina pondera emigrar
O resultado coloca em evidência o desafio de tornar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais atrativo e capaz de reter os futuros médicos.
Atratividade do SNS e retenção de médicos entre os principais desafios identificados
Mais de um terço dos estudantes de Medicina pondera emigrar
Quase 36% dos estudantes de Medicina inquiridos no estudo “Presente e Futuro | A Visão dos Futuros Médicos”, realizado pela Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), ponderam emigrar. O resultado coloca em evidência o desafio de tornar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais atrativo e capaz de reter os futuros médicos.
Quando questionados sobre as mudanças mais urgentes para melhorar o exercício da Medicina em Portugal, 26,4% das respostas destacaram a necessidade de reforçar a atratividade do SNS. Entre os estudantes que ponderam emigrar, os principais motivos identificados são os salários, as condições de trabalho e a qualidade de vida.
Além dos estudantes que ponderam emigrar, 29,4% estão indecisos e 34,8% não consideram essa possibilidade. O estudo reuniu quase 700 respostas de estudantes das 11 Escolas Médicas portuguesas e foi realizado no âmbito do Grupo de Trabalho “Um Rumo para a Saúde” da Ordem dos Médicos.
“Estes resultados reforçam a necessidade de olhar para o futuro da profissão médica para além do número de estudantes que ingressam anualmente nos cursos de Medicina, considerando também as condições em que estes profissionais irão trabalhar e as oportunidades de desenvolvimento de carreira. Ouvir estas expectativas e integrá-las no planeamento dos recursos humanos em Saúde é essencial para garantir que Portugal consegue não só formar médicos, mas também criar condições para os manter no país e no Serviço Nacional de Saúde”, afirmou a Presidente da ANEM, Maria Fontão.
Condições de trabalho e salários entre as mudanças mais urgentes
Entre as mudanças consideradas mais urgentes para melhorar o exercício da Medicina em Portugal, 49,8% das respostas apontaram questões relacionadas com as condições de trabalho, nomeadamente a carga horária, as horas extraordinárias e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. A valorização salarial foi mencionada em 46,1% das respostas.
Os resultados evidenciam ainda preocupações com o reconhecimento profissional e a progressão na carreira, bem como com a carga burocrática, que os estudantes consideram um obstáculo à disponibilidade para a prática clínica e ao contacto com os doentes.
O estudo identifica também uma associação entre a Escola Médica frequentada e a região onde os estudantes pretendem exercer a profissão, evidenciando a importância de considerar a distribuição territorial dos futuros profissionais no planeamento dos recursos humanos em Saúde.
A apresentação pública do estudo decorreu durante a Sessão Solene de Celebração do 43.º Aniversário da ANEM, que se realizou no Auditório da Ordem dos Médicos, em Lisboa. A cerimónia contou com a presença de várias personalidades, entre as quais o Presidente de Conselho Nacional de Saúde, Victor Ramos, bem como representantes das Unidades Locais de Saúde, das Instituições de Ensino Superior e de diversos grupos de saúde.


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