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Investigação da Universidade de Évora identifica desafios e oportunidades para a sustentabilidade do montado
A investigação foi desenvolvida por Miguel Advinha, estudante do Programa de Doutoramento em Agronegócios e Sustentabilidade, em coautoria com as investigadoras Maria Raquel Lucas e Ana Marta-Costa.
Évora | Univ. de Évora
Investigação da Universidade de Évora identifica desafios e oportunidades para a sustentabilidade do montado
O montado português e a dehesa espanhola constituem paisagens emblemáticas da Península Ibérica, fundamentais para a conservação da biodiversidade, a produção agropecuária, a valorização dos recursos naturais e a preservação do património cultural e rural. Contudo, estes sistemas enfrentam desafios crescentes, associados às alterações climáticas, à degradação ambiental e ao abandono dos territórios rurais.
Para compreender melhor a evolução da investigação científica sobre estes sistemas e identificar as principais áreas de interesse e os atores envolvidos, um estudo publicado na revista internacional Agroforestry Systems analisou 55 publicações científicas dedicadas ao montado e à dehesa.
A investigação foi desenvolvida por Miguel Advinha, estudante do Programa de Doutoramento em Agronegócios e Sustentabilidade, em coautoria com as investigadoras Maria Raquel Lucas e Ana Marta-Costa, respetivamente ligadas ao MED&CHANGE, da Universidade de Évora, e ao CETRAD, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que acompanham o seu percurso de doutoramento.
“Estudo publicado na revista científica internacional Agroforestry Systems analisa a evolução da investigação sobre o montado português e a dehesa espanhola e destaca a necessidade de uma abordagem mais integrada e participativa para a sua sustentabilidade.”
Os resultados identificam quatro grandes áreas temáticas na investigação sobre estes ecossistemas: património cultural e turismo rural; conservação da biodiversidade e sustentabilidade; políticas públicas e gestão dos recursos naturais; e produção pecuária e gestão do pastoreio.
Apesar da diversidade de temas abordados, o estudo revela também um desequilíbrio na representação dos diferentes intervenientes. A investigação tem privilegiado as perspetivas dos proprietários rurais, agricultores e entidades ligadas à gestão do território, enquanto outros grupos, como consumidores, trabalhadores rurais, empresas e organizações da sociedade civil, permanecem menos estudados.
Esta constatação evidencia a importância de alargar a análise a diferentes perspetivas e experiências, de forma a compreender melhor as dinâmicas sociais e económicas que influenciam a gestão e a sustentabilidade do montado e da dehesa.
“A sustentabilidade do montado e da dehesa exige uma abordagem mais integrada e participativa, capaz de articular a conservação ambiental, a viabilidade económica das atividades produtivas e o envolvimento dos diferentes intervenientes”, pode ler-se no estudo agora tornado público.
Os autores destacam, assim, a necessidade de promover estratégias de gestão e políticas públicas mais ajustadas à realidade destes territórios, reconhecendo a interdependência entre as dimensões ecológica, económica, social e cultural.
A investigação reforça que compreender a sustentabilidade do montado não passa apenas por analisar os seus desafios ambientais, “implica também conhecer as atividades económicas que sustentam estas paisagens, as comunidades que delas dependem e os diferentes interesses que condicionam a sua gestão e valorização futura” destacam os autores.
Ao identificar as principais tendências da investigação e as lacunas existentes, o estudo contribui para orientar futuras linhas de investigação e apoiar a definição de estratégias que promovam a resiliência e a sustentabilidade destes sistemas agroflorestais de elevado valor para a Península Ibérica.


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