Siga-nos

Opinião

Tinha que nos calhar a fava…

A opinião de Diogo Serra

TDS noticias

Publicado

em

A escolha do Presidente da República de João Miguel Tavares (JMT) para presidente das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 10 de Junho de 2019, tem tudo menos de inocente.

Esta escolha teve e tem um fito concreto e objetivo: amplificar a deturpação e a mentira, institucionalizá-las, e falsear grosseiramente a história mais recente do nosso país.

No seu discurso, o escolhido de Marcelo Rebelo de Sousa vomitou em Portalegre, entre outros, este insulto: “depois de os portugueses terem lutado pela liberdade em 1974, pela democracia em 1975, pela integração na Comunidade Europeia nos anos 80 e pela entrada na moeda única durante a década de 90, não é fácil saber porque é que estamos a lutar hoje em dia”.

Mais adiante acrescentou que “aquilo que melhor distingue as pessoas não é serem de esquerda ou de direita, mas a firmeza do seu carácter e a força dos seus princípios”.

Quarenta e cinco anos depois da conquista da Liberdade e da Democracia, e perante este dislate, resta-nos uma muito amarga sensação de um inusitado e indesejado regresso ao passado, àqueles tempos em que o 10 de Junho tresandava o bolor da ditadura fascista.

O discurso de JMT traz-nos inexoravelmente à memória, tragicamente, aqueles momentos em que militares fardados ao serviço do fascismo condecoravam viúvas e órfãos dos portugueses mortos em combate na guerra fratricida alimentada pelo regime fascista na Guiné, em Angola e em Moçambique, quando o fascismo tudo fazia para afirmar o caráter e a força dos princípios que, diziam então, constituíam os mais poderosos alicerces distintivos do regime fascista.

Ao JMT, claramente saudoso desses tempos de obscurantismo e opressão, é preciso dizer:

NÃO, os portugueses não lutaram pela liberdade em 1974! O Povo Português lutou pela Liberdade durante os 48 anos de ditadura fascista que oprimiu o Povo e o País, de forma tão heroica e determinada que tornou possível a Revolução de 25 de Abril de 1974!

NÃO, os portugueses não lutaram pela democracia em 1975! Em 1975 o Povo Português lutou em defesa da Democracia conquistada em 25 de Abril de 1974, mas foi tragicamente derrotado pela contrarrevolução. Essa contrarrevolução que o João Miguel Tavares tão abertamente apoia!

NÃO, os portugueses não lutaram pela integração na comunidade europeia nos anos 80 nem pela entrada na moeda única durante a década de 90 do século passado! Ambas foram impostas aos portugueses pela contrarrevolução triunfante em 1975, e ao Povo Português não foi dada a oportunidade, sequer, de expressar a sua opinião!

NÃO, os portugueses sabem muito bem por aquilo que lutam hoje. O Povo Português, mesmo anestesiado por este tipo de discursos de raiz puramente populista e demagógica que encharcam a nossa vida quotidiana, sabe bem que a luta que tem que ser travada é a luta em defesa da Liberdade e da Democracia, conquistas que não são inexoráveis, nem eternas, nem indestrutíveis, e que por isso é imprescindível e imperativo defender exercer na sua plenitude.

E finalmente, NÃO, o que melhor distingue as pessoas é mesmo serem de esquerda ou serem de direita. As pessoas de esquerda, demonstrando a firmeza e a força dos princípios que não apenas defendem como praticam quotidianamente, não mentem e não deturpam a verdade histórica. Precisamente ao contrário das pessoas de direita, conforme plenamente se confirma nas palavras do presidente das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 10 de Junho de 2019.

Continuar a ler
Publicidade
3 Comentários

3
Deixe um comentário

avatar
700
3 Respostas ao comentários
0 Respostas
1 Seguidores
 
Comentários com mais reações
Comentários mais populares
3 Autores dos comentários
Rosa MariaCharlieTeresa Muge Autores dos comentários mais recentes
mais recentes mais antigas mais votadas
Teresa Muge
Visitante
Teresa Muge

Pois eu, que sou de esquerda, não acho que isso seja o que mais me distingue de seja quem for. Creio mesmo que é por ser de esquerda que acredito num lugar onde todos, para lá das suas ideologias, se podem encontrar. É difícil esse lugar. Se calhar, a ‘cidade sem muros nem ameias’ – essa utopia que tão cara é a muitos companheiros de caminho – seja a que se vai construindo em comum e tornando invisíveis os conflitos que, no passado, nos diferenciavam também. O sublinhado na diferença, ou o sublinhado na semelhança – é escolha pessoal. É… Read more »

Charlie
Visitante
Charlie

Foi o discurso mais patético que ouvi até hoje para comemorar um dia em que se esperaria o enaltecer do pais enquanto Nação. O JMT foi igual a ele mesmo. Um maldizente, um demagogo, um caluniador. Porque falar de uma estrada que “ninguém usa” e depois vir debitar falta de investimento e oportunidades no interior é algo que só por si enraivece. Depois a corrupção. Mas se foi essa corrupção que lhe tem dado de comer desde que saiu da terra onde mal fala aos que o viram nascer! Saberá ele explicar tanto conhecimento sobre tanta coisa em segredo de… Read more »

Rosa Maria
Visitante
Rosa Maria

Entreajuda??? Essa é para rir!!Se estão a maltratar dois animais dentro da arena e ainda são mortos, até o cavalo matarem logo de seguida, como se entreajudam? Ajudam mas os humanos entre si, porque aos animais não vejo cá ajuda nenhuma. Começam a torturar e depois vêm o animal ali agonizar e ainda batem palmas. Até os cavalos sofrem, coitados, já vi um que até os intestinos iam caindo da barriga enquanto corria até cair para o chão. Aos humanos correm para socorrer não os matam ali na arena por ficarem muito feridos e aos cavalos nem tentam, e aos… Read more »

Opinião

Os Monges foram embora e São Bruno também. Imagem do Santo está agora na Igreja de S.Francisco.

A Opinião de Susana Nogueira (Técnica Superior da Igreja de São Francisco de Évora)

TDS noticias

Publicado

em

A vida tem destas coisas: mistérios da fé, desígnios de Deus.

Sete irmãos fundaram a Ordem, com São Bruno à cabeça, sete chegaram a Évora em 1587, ficaram alojados no Paço Real de São Francisco enquanto dirigiam as obras do seu mosteiro, e sete regressaram em 1960, após o encerramento do convento determinado pelo decreto de extinção das Ordens Religiosas publicado a 30 de Maio de 1834. No seguimento destes tempos difíceis, os caminhos de franciscanos e cartusianos haviam de se cruzar uma e outra vez.

Com Santa Maria Scala Coeli votada ao abandono, foi com imensa alegria que a imagem seiscentista de São Bruno encontrou o seu lugar na igreja de São Francisco, onde esteve exposta à devoção durante 120 anos. Felizmente, o Convento da Cartuxa foi entretanto reativado pela mão de Vasco Maria Eugénio de Almeida, e a escultura do fundador devolvida à casa-mãe. Um regresso celebrado por uns e contestado por outros devido ao regime de clausura daqueles monges lhe interditarem o acesso.

São Bruno estava onde devia e o convento mantinha a essência dos longínquos anos de 1598, quando os primeiros irmãos lá se instalaram e se tornaram num verdadeiro pilar da vida contemplativa do país. Nos últimos 60 anos viveram em comunhão silenciosa e harmoniosa com a cidade, que aprendeu a acarinhar e respeitar esta comunidade, sobretudo na relação com o padre Antão López que a ninguém deixou indiferente e se tornou o rosto dos cartuxos em Évora. É pois com profundos sentimentos antagónicos que assistimos à partida dos quatro cartuxos de Évora rumo a Burgos e a Barcelona, e ao regresso de São Bruno à igreja de São Francisco, um novo ciclo que encerra um grande ciclo.

A ocasião propícia para este regresso foi a ordenação sacerdotal de Paulo Fonseca, após ter abraçado durante cinco anos o modo de vida cartusiano. O dia, 6 de Outubro, coincide com o da festa litúrgica de São Bruno. Agradecemos a anuição do Arcebispo de Évora e do prior do convento, que considerou ser justo que os Cartuxos o pedissem e é justo que a Diocese o peça. Agradecemos ainda mais ao padre Antão as preciosas informações que possibilitaram a identificação de um dos altares de São Francisco como o altar original de São Bruno, então venerado na sala do capítulo da Cartuxa. Bem haja. Nas palavras do Cónego Manuel Ferreira, pároco desta igreja, “imploro a bênção de Deus para os monges da Cartuxa Scala Coeli”.

A Opinião de Susana Nogueira (Técnica Superior da Igreja de São Francisco de Évora)

Continuar a ler
Publicidade

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

OUTRAS NOTÍCIAS

Categorias

Comentários

ARQUIVO

CALENDÀRIO

Outubro 2019
S T Q Q S S D
« Set    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Top

Copyright © 2019 TDS - Rádio e Televisão do Sul