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Opinião

O desabafo de uma médica sobre o chumbo do subsidio de risco aos profissionais da saúde.

Paula Helena | Médica ortopedista

Rádio e Televisão do Sul | TDS

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A propósito do Ministério da Cultura gastar 1 Milhão de Euros no TV Fest A proposito do pagamento de 6,42 €/hora aos enfermeiros em contratos de 6 meses

A propósito do chumbo na Assembleia da República da resolução para atribuição de um subsídio de risco aos profissionais que se encontram na linha da frente ao combate da pandemia do Covid.

“Atitudes como estas são reveladoras, na minha opinião, de uma total desfaçatez, falta de respeito e indignas de um Pais que se diz democrata!”

Eu sou um mulher das ciências, pragmática e como cirurgiã, muito prática e objectiva e por isso mesmo com dificuldade em entender atitudes e orientações tidas no mundo dos deuses ou quiça noutro planeta.

Atitudes como estas são reveladoras, na minha opinião, de uma total desfaçatez, falta de respeito e indignas de um Pais que se diz democrata! É óbvio que toda a classe médica, enfermagem e auxiliares, bem como todo o pessoal necessário ao bom funcionamento das instituições, estão revoltados!!!

“…vocês não têm noção do medo que temos para não nos aproximarmos dos colegas, para não lhes tocarmos, vocês não têm noção do que é saber que colocamos a família em risco!”

A vossa sorte, Governo e restantes partidos, é que o nos move, não é o dinheiro, não é a glorificação, mas sim o Doente! Vocês não têm noção do que se passa nos hospitais, vocês não têm noção do que é ir trabalhar mas saber que pode ser a última vez!

Vocês não têm noção do que passamos com os EPis, vocês não têm noção do medo que temos para não nos aproximarmos dos colegas, para não lhes tocarmos, vocês não têm noção do que é saber que colocamos a família em risco!!! E isto passa-se mesmo não sendo em unidades covid.

“Eu não o quero para mim, mas para quem ganha 600€, 20% é uma miséria por colocar a vida em risco!”

A minha filha de 18 anos quis ficar no colégio interno porque tem medo que eu a contagie, os meus filhos mais velhos estão em Lisboa trancados, longe de mim e o mais pequeno que vive comigo, nem nos cruzamos…. É a solidão, é o risco de operar os doentes infectados, é a dúvida se existe amanhã.

Eu não o quero para mim, mas para quem ganha 600€, 20% é uma miséria por colocar a vida em risco! Não há vida que valha tão pouco e palavras post mortem que os glorifiquem. Este processo coloca-nos numa tensão que parece que estivemos lá 1 semana . Ninguém imagina, e talvez por isso tenham dificuldade em nos compreender.

“Não é o dinheiro que nos consola neste momento, mas atitudes que não nos façam sentir tão desprotegidos e tão substituíveis.”

E depois … quando regressamos a casa… estamos sós, sem o aconchego de um sorriso ou de uma palavra! Sós…. porque as pessoas têm medo de nós! Esta é a realidade! Não é o dinheiro que nos consola neste momento, mas atitudes que não nos façam sentir tão desprotegidos e tão substituíveis.

Quando há dinheiro para mais assessores e Tordos… estou sem palavras para exprimir a minha revolta na condução de todo este processo. Desculpem o desabafo de quem esteve 24h a trabalhar e a ver passar cadáveres que não são contabilizados porque têm comorbilidades, que vão ser, essas sim, consideradas como causa de morte e não o covid…..

“Estou cansada desta engenharia de números morte por Covid…”

Estou cansada de assistir ao que se passa na Assembleia da República que chumbou esta quarta-feira a divulgação de dados epidemiológicos da Covid-19 para que os cientistas portugueses possam estudar a doença.

Estou cansada desta engenharia de números morte por Covid, estou cansada de sermos hoje idolatrados … mas bem longe… e amanhã voltarmos a ser ignorados.

Paula Helena | Médica ortopedista

Casos COVID 19 no Alentejo a 10 de abril. (gráfico por concelho)

Opinião

Aguenta Firme. Aguenta firme mais 15 dias.

A opinião de José Godinho Rocha, Advogado.

Rádio e Televisão do Sul | TDS

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O Estado de emergência foi prolongado por mais duas semanas e o Governo endureceu as medidas de confinamento, até porque esta é uma guerra ainda longe de estar ganha, e este não é o momento para aliviar a pressão sobre o Coronavírus. 

Mas enquanto se salvam vidas, é necessário também salvar a economia e já agora o estado de direito.

Todos somos poucos para tão hercúlea missão.

O Presidente da República, o Primeiro Ministro, os Partidos e todos os cidadãos têm uma missão e tanto melhor seria se pudéssemos contar com a solidariedade europeia. 

Porém, as respostas que chegam de Bruxelas entre alguns discursos “quase repugnantes” de alguns países europeus sem discernimento, deixam-nos sem balas para dar uma resposta à crise económica, social e política que se avizinha.

Por cá, Rui Rio já admitiu que o pais pode vir a precisar de um governo de salvação nacional, pois a fatura do Coronavírus vai chegar e promete ser pesada.

Que consequências poderão ter estas medidas num futuro imediato do pais?

Ora, o principal determinante da saúde pública é a economia, sabemos que é difícil encontrar o ponto de equilíbrio entre responder àquilo que são as consequências económicas do Coronavírus e protegermo-nos das consequências económicas para a saúde pública de empobrecimento no curto prazo.

Com efeito, já estamos a assistir a uma quebra de rendimentos de muitas famílias e um desemprego que se advinha avassalador.

O que esperar de um futuro imediato?

A resposta é simples, uma vaga de austeridade para recompor o equilíbrio orçamental com um impacto tremendo na saúde pública.

O problema não é só as pessoas que estão diretamente a ser vítimas do Coronavírus, mas as pessoas que irão sofrer com o impacto das medidas daquele.

Assistimos já a centenas de mortes pelo Coronavírus, mas assistiremos a mais mortes em função das variáveis do mesmo.

A paralisação da economia e as diferenças políticas irão ter impactos incomensuráveis no dia-a-dia das empresas e das relações comerciais.

Tem se falado na questão dos Estados se substituírem à economia, cobrindo os riscos decorrentes da pandemia, mas não faltará muito tempo para quem exigiu a intervenção do Estado, exija depois o aumento de impostos.

Rapidamente a confiança política de agora entrará em erosão.

Se a crise de 2008 já abriu a porta aos populismos e olhando para a história, percebemos que neste momento poderemos estar perante um “cocktail” letal em termos políticos que abre a porta a este tipo de movimentos.

Urge a necessidade de ficar alguém de fora, que os cidadãos olhem como alternativa séria, de modo a justificar o seu apoio às medidas muito complicadas que vão ser preciso tomar.

A União Europeia está a mover-se, porém, não se percebeu ainda em que sentido.

O vírus é democrático, vai chegar a todos, mas o seu impacto será assimétrico.

Os países com maior divida pública serão os mais afetados, como é o caso do nosso país.

A estimativas para o lay off apontam para 1000 milhões de euros por mês, que equivale a meio por cento do PIB português, caso seja assim, chegaremos ao final do ano de 2020 com a divida nos 140 % do nosso produto.

Fala se do mecanismo de estabilidade europeu, porém, ainda não percebemos se é ou não viável em virtude de termos uma crise na procura e na oferta.

O contexto atual é completamente diferente do que já existiu.

Neste momento, a economia vai ter dificuldade em arrancar em virtude das empresas que irão falir e temos o problema na procura, porque as pessoas não têm dinheiro.

O risco excessivo de recessão é garantido.

Interpretando as palavras do Ministro Siza Vieira, existirá austeridade em função daquilo que são as imposições das medidas europeias, ou seja, o mesmo é dizer que não quer uma Troika à semelhança do que aconteceu em 2008.

É evidente que vamos passar por um período de austeridade diferente, disso ninguém duvida.

Aguenta Firme.

José Godinho Rocha,

Advogado.

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