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Opinião

João…podias-me ter dado algo em que acreditar mas não deste.

Esta é a minha opinião

Amilcar Matos

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Esta é a minha Opinião após a intervenção de João Miguel Tavares no 10 de Junho em Portalegre

Sabes que te ouvi lá mesmo. Estava ali bem na frente e quando te escutava lembrei-me que podias ser alentejano.  No dia anterior já mo tinhas dito na conversa breve que tivemos. 

Soube também que eras daqui quando a dona Ermelinda, aquela que mora no alto da rua em que nasceste, me disse que te cumprimentou e que tu de olhar altaneiro e superior simplesmente lhe respondeste ‘Olá’.  

Não se responde ‘Olá’ a quem nos viu quase nascer. Um alentejano  responde mais do que ‘Olá’. Principalmente quando se regressa ás origens e se tem a oportunidade de olhar nos olhos quem nunca mais vimos.

Mas vamos ao discurso. 

Ouvi-te de perto e logo no momento me tocou.  Falaste de tantas coisas que Nós aqui falamos todos os dias. Do interior das oportunidades do jogo viciado do grito que damos sem resposta do quanto lutamos simplesmente para ser iguais aos outros.

Os outros de que tu fazes parte. Dos que em Lisboa olham o pais de forma diferente. 

Dos outros que nos perguntam se  somos de Lisboa ou daqui. Dos outros de que tu falas mas com os quais te confundes.

Dos outros com os quais comes na mesma ‘gamela’.

Dizes tu que é ‘preciso conhecer as pessoas certas que é preciso ter os amigos certos e que é preciso nascer na família certa”. João mas isto és tu…lembras-te?

Sabes que quando te ouvi dizer que as oportunidades são diferentes que a cunha vale mais que tudo lembrei-me também de ti.

Sei que foste bem cedo para a capital e o resto sabes tu melhor do que ninguém.

É com os que fizeram um percurso idêntico ao teu e que visitam a terra uma vez por ano, que dizem que são da província mas que a ignoram todos os dias que tu te misturas.

Ouvi-te no 10 de junho  mas fiquei ‘deslumbrado’ com tanta merda de opinião para te enaltecer a uns píncaros que nem tu imaginavas que podias alcançar.

Ouvi-te falar de corrupção. Daquela que os que estão próximos de ti praticam. Das oportunidades que ela (corrupção) nos tira a nós do interior. A Nós não a ti. 

Tiveste durante tantos anos tantas oportunidades tantos palcos e vens agora falar disso tudo? 

Olhei para o que escreveste e não vi lá nada que encaixe com o que agora dizes.

“As Incríveis aventuras da super-miúda, Manuel de sobrevivência para pais e maridos, O pai mais horrível do mundo, Uma baleia no quarto, A crise explicada às crianças e Os homens precisam de mimo”, foi isto João que tu escreveste.

Tu nunca falaste de Portalegre tu nunca lutaste por Portalegre. Tu nunca lutaste pelo interior.

Então tu no próprio discurso do 10 de junho vens falar de auto estradas que foram feitas com dinheiros da europa e que estão às moscas? Estás a falar da A6 a mais próxima da tua terra. 

Sabias que ela existia ou ficaste a saber no dia 8 à noite quando vieste para as comemorações?

Sabes que a A6 de que falas liga duas capitais europeias, rompe uma região sem nada, irá servir uma linha férrea que irá ligar Sines ao Caia, que pode não ter muito trânsito como as estradas onde tu andas todos os dias mas que é uma das poucas desta região. 

Tu sabes isto João?

Disseste tu…”A falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados, incapazes de acreditar num país meritocrático.”. 

João deixa-te disso. A falta de esperança? Mas qual esperança? Oportunidades? Mas quais oportunidades?

Meu caro. Nós aqui somos adultos e já não estamos desencantados. Somos é realistas hoje mais do que nunca. Porque os que estão aí contigo nos fazem ser assim.

Tu não sabes o que é ser Alentejano. O que é desenvolver o dia a dia nesta terra. Sentir tudo o que tu falaste e muito mais na própria pele. 

Por isso te digo. O teu discurso pode ter muitas virtudes e até pode ser um grande discurso mas não é sentido, não foi vivido não é sofrido.

O discurso pode ser tudo isso mas o testemunho não existe. Parece-me um discurso à medida de quem te convidou e que não o podia escrever e muito menos ler.

Uma daquelas encomendas que se fazem aos amigos.

De recados, João, estamos Nós fartos .

Queres cá vir um dia? Sim passar um dia aqui no Alentejo. Fazeres aqui jornalismo, sentires aqui o que tu dizes que Nós passamos. Pagares os mesmos impostos que pagas em Lisboa. Ter más estradas, ter maus comboios, não ter aeroportos nem centros culturais como tu aí tens. 

Afinal o que tu tens e que Eu como tantos outros não temos tido é aquilo que tu dizes. 

Um amigo uma família uma cunha.

Tu ainda tiveste mais uma coisa. Um palco.

E porque tiveste um palco podias-me ter dado algo em que acreditar…mas não deste.

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Pedro Silva
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Pedro Silva

JMTavares vestiu a pele do cordeiro impoluto mas nunca fez nada mais na vida do que ser um político. Sim, político. Mas pior do que aqueles que são eleitos. Ele é conhecido por causa do comentário político. Ganha a vida com isso. Movimenta-se naquele circulo da capital do império, ávido por partilhar a tal gamela que o autor do texto fala. Um comentador a tempo inteiro de política é pior que um político, porque estes estão identificados com um lado, mas o JMT está sempre bem… aponta o dedo e esconde a mão. Foi isso que ele fez. Pode agradecer… Read more »

Margarida
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Margarida

Análise realista de um discurso de ficção.

Opinião

O CRIME QUE DEIXOU DE SER UM PROBLEMA DE SEGURANÇA NACIONAL

A opinião de Rogério Copeto – Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

TDS noticias

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Entre 2010 e 2013 o crime de furto de metais não preciosos provocou enormes prejuízos às empresas de telecomunicações e de distribuição de energia, sem esquecer os agricultores, tendo após cinco anos de redução consecutiva, deixado de ser um problema de segurança nacional.

Por motivo do grande aumento deste tipo de crime verificado no inicio da presente década do século XXI, foi o mesmo autonomizado no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) em 2012 e de acordo com o RASI de 2013, foram registados nesse ano 13.422 crimes, tendo em 2014 se verificado uma diminuição para os 8.448 crime, continuando essa diminuição até o ano passado, onde constam no RASI de 2018, 2.260 furtos de metais não preciosos, verificando-se uma redução em cinco anos de 83,2%.

Tal como hoje, no início da presente década o furto de metais não preciosos tinha como principal alvo, qualquer infraestrutura ou equipamento que contenha metal, sendo o cobre, aquele que maiores lucros gere, e por isso ser chamado de “Ouro vermelho”, apesar de não ser um metal precioso.

Qualquer objeto ou infraestrutura que contenha cobre na sua composição constitui ainda hoje um alvo potencial para os criminosos, afetando fortemente uma série de setores económicos estruturantes e essenciais para o País.

O cobre alvo de furto gera um lucro fácil, porque continua a existir procura deste metal. Enquanto os metais considerados preciosos, tais como o ouro e a prata, apresentam um valor intrínseco para quem os furta, bem como para qualquer outro cidadão que os valorize enquanto objeto, o cobre é furtado para ser vendidos em grosso às sucatas, obtendo-se valor quando reintroduzidos no circuito comercial, através da reciclagem. 

E conforme já referido o furto de cobre verificou uma enorme tendência de crescimento no país entre 2010 e 2013, tendo afetado desde as propriedades agrícolas, passando pelas operadoras de telecomunicações e de distribuição de energia, onde o maior prejuízo no furto de cobre resulta dos danos causados, sejam diretos ou indiretos, podendo atingir 50 vezes mais do que o valor do cobre furtado.

Nas operadoras de comunicação e de distribuição de eletricidade, os prejuízos atingem maioritariamente os consumidores, que se vêm impedidos de comunicar e no caso das empresas, de desenvolver a sua atividade. Na agricultura, os furtos nas instalações, podem significar a diferença entre um ano produtivo e um ano com elevados prejuízos.

Há várias razões que explicam a procura do cobre. Por um lado, o mercado global do cobre movimenta, por ano, cerca de 100 mil milhões de euros, sendo que só 30% das necessidades mundiais provêm da atividade mineira.

A restante fatia é obtida a partir da reciclagem e o cobre é reciclável quase a 100%. Nos mercados emergentes, como a China ou a Índia, há uma grande procura de cobre, o que tem feito aumentar o preço da matéria-prima nos mercados internacionais. 

Assim, o valor do cobre aumenta, devido à elevada procura no mercado e sempre que o valor do cobre aumenta, crescem os furtos. 

Mas como foi possível em Portugal este tipo de crime sofresse uma redução de 83,2% em cinco anos, sabendo que a prevenção deste tipo de ocorrência criminal, não é fácil devido à grande dispersão de equipamentos e infra-estruturas por todo o território nacional, agravado pelo facto de se localizarem maioritariamente em zonas isoladas e as medidas de proteção e segurança ativas e passivas serem onerosas e de difícil implementação.

Também o fácil escoamento dificulta a repressão deste tipo de crime, devido à existência muitos locais de recetação e a fácil reintrodução no mercado lícito, especialmente através da exportação.

Pelo exposto anteriormente, facilmente se conclui que o furto de metais não precisos constituiu um grave problema à segurança nacional entre 2010 e 2013, tendo o seu combate tido uma resposta multidisciplinar, que requereu uma atuação coordenada de todas autoridades policiais e judiciais, bem como da sociedade civil e dos agentes económicos.

Esta coordenação foi na altura encabeçada pela GNR, por motivo da maioria dos furtos de metais não preciosos ocorrer na sua zona de ação e porque implementou um conjunto de ações, onde se inclui o “Programa Campo Seguro”, que serviu de lançamento da PSAT  (Associação para a Promoção da Segurança de Ativos Técnicos), criada em fevereiro de 2012 no seguimento da assinatura do Protocolo “Campo Seguro”, entre o Ministério da Administração Interna, representando pela GNR, a EDP Distribuição, a EDP Renováveis, a REFER (Rede Ferroviária Nacional), a EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres, S.A.) e a PT, com o objetivo de estabelecimento de uma parceria ativa com as forças de segurança de modo a melhorar os mecanismos de defesa das infraestruturas dos seus associados, contra o furto de metais.

No âmbito do “Programa Campo Seguro” foram realizados diversos eventos, desde ações de sensibilização em todos as Direções Regionais de Agricultura e Pescas (DRAP) tendo como público alvo os agricultores, bem como a realização de seminários dirigido aos operadores de gestão de resíduos (sucateiras), assim como ações de repressão nomeadamente fiscalizações que levaram ao encerramento de muitas sucateiras ilegais.

Para além disso a GNR associou-se ao projeto europeu denominado Pol-PRIMETT em 2010, que é liderado pela Agência Nacional de Crimes do Reino Unido e reúne parceiros de 8 Estados-Membros da União Europeia (UE), e tem como objetivo a partilha das melhores práticas para combater o furto de metais não preciosos, tendo a GNR sido convidada para organizar a Conferência Anual de 2014, que se realizou no dia 15 de outubro, no Centro de Congressos, em Lisboa e contou com a participação de 187 delegados de 15 Estados-Membros da UE.

Todas estas ações tiveram os seus frutos, mas terá sido a Lei n.º 54/2012, de 6 de setembro, que mais contribuiu para que o furto de metais não preciosos deixasse de ser uma preocupação em Portugal, tendo a mesma integrado os importantes contributos da GNR. 

A referida lei define os meios de prevenção e combate ao furto e de recetação de metais não preciosos com valor comercial e prevê mecanismos adicionais e de reforço no âmbito da fiscalização da atividade de gestão de resíduos, obrigando as sucateiras a implementar um conjunto de medidas, tal como a videovigilância, a obrigação dos registos de material e a proibição de pagamentos a dinheiro.

Para além disso os materiais recebidos nas sucateiras só poderem ser transformados decorridos três dias úteis após a sua receção e sempre que se verifiquem a existência de fortes indícios da prática de crime de furto ou de recetação de metais não preciosos, ou em caso de flagrante delito, as autoridades policiais podem determinar o encerramento temporário das instalações.

Assim, foi possível em cinco anos, o crime de furto de metais não preciosos sofrer uma redução de 83,2%, em resultado da implementação de um conjunto de medidas, que atacaram o problema na sua fonte, a recetação, sustentadas em alterações legislativas e em iniciativas no âmbito da prevenção e da repressão, com base numa atuação coordenada das autoridades policiais e judiciais, bem como da sociedade civil e dos agentes económicos, devendo por isso o trabalho realizado no âmbito do combate ao crime de furto de metais não precisos, ser objeto de estudo e replicado noutros tipos de crime. 

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