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Sociedade

Hospital de Évora esclarece caso do menino que nunca teve Covid

Menino esteve internado mas por outro problema. Colégio da Fundação Alentejo está ainda encerrado.

Rádio e Televisão do Sul | TDS

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Criança foi transferida esta semana para o Hospital Dona Estefânia que realizou no HESE um teste ao SARS- CoV-2, cujo resultado deu positivo.

“Testes em Lisboa deram todos negativo”

Leia na integra a resposta do Hospital de Évora:
“No contexto da presente pandemia, sempre que uma criança dá entrada no Serviço de Urgência Pediátrica do HESE com febre, independentemente dos restantes sintomas, está protocolado que deve realizar o teste ao SARS- CoV2.
Neste caso, foi realizado o teste, cujo resultado deu positivo. (Tecnicamente a PCR para SARS-CoV-2 envolve a pesquisa de 3 genes (Gene E, gene N e gene RdRP).
A metodologia do Serviço  de Patologia Clínica do HESE por protocolo do mesmo, implica a repetição de todos os testes em que há apenas amplificação de um ou de dois genes.
A amostra enviada ao nosso laboratório foi positiva para os três genes, logo sem necessidade de repetição de teste, embora com um Ct um pouco tardio, que pode significar o final de uma infeção por SARS-CoV-2, em que diferentes sensibilidades de testes podem dar resultados diferentes.
A infeção por SARS-CoV-2 não implica a doença COVID-19, sobretudo em crianças, mas implica os mesmos protocolos de internamento e de segurança.
A criança foi transferida para o Hospital Dona Estefânia devido a outra patologia que apresentava, ficando internada neste Hospital, em enfermaria COVID.
O referido Hospital, cumprindo o seu procedimento de segurança, realizou novos testes à criança, que deram negativo.
Tanto quanto sabemos, no Hospital Dona Estefânia, foi explicado ao pai que é comum em crianças COVID infectadas e depois terem testes negativos, tendo esta criança continuado internada em enfermaria COVID no Hospital Dona Estefânia.
Tanto quanto sabemos, em momento algum terá sido transmitido que o teste realizado no HESE não teria validade, porque o teste é válido, ou que a criança nunca teve contacto com o vírus, uma vez que o teste deu positivo.
Face ao resultado do teste no HESE, foram tomadas todas as medidas de saúde pública  preconizadas e que  foram  determinadas pela Autoridade de Saúde, tendo o Serviço de Patologia Clínica do HESE cooperado na realização dos testes para SARS-CoV-2 a todos os profissionais e crianças que frequentam o Colégio da Fundação Alentejo, cujos resultados foram negativos.
Importa esclarecer e manter a confiança nas instituições e nos profissionais, pois todas as instituições de saúde e os profissionais envolvidos neste processo tiveram uma intervenção exemplar.
No que compete ao HESE, no contexto duma resposta articulada a esta emergência de saúde pública, serão sempre tomadas as medidas necessárias para garantir a segurança de todos.”
https://televisaodosul.pt/menino-de-colegio-de-evora-afinal-nunca-teve-covid-19/

Sociedade

Bióloga portuguesa vai explorar ponto mais profundo do planeta

Mar profundo representa cerca de 60 por cento da superfície da Terra.

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Ana Hilário, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro

“Investigadoras portuguesas na fronteira da exploração do mar profundo”

Depois de Marte, é, provavelmente, o mais enigmático local que a Humanidade não pisou: o mar profundo. Simbolicamente batizado de Challenger 150, em alusão ao ponto mais profundo do planeta (o Challenger Deep), um novo programa com cientistas de todo o mundo propõe-se trazer à superfície o conhecimento que ainda se esconde nas profundezas dos oceanos. 

Ao leme, a bióloga portuguesa Ana Hilário, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA), quer dar um grande mergulho para a Humanidade e fazer com que o Challenger 150 seja uma referência da Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável.

“O mar profundo [vastas extensões de água e fundos marinhos entre os 200 e os 11000 metros abaixo da superfície do oceano] é reconhecido globalmente como uma importante fronteira da ciência e da descoberta”, aponta a bióloga marinha Ana Hilário, coordenadora da Challenger 150 a par com Kerry Howell, investigadora na Universidade de Plymouth (Reino Unido) e especialista em Ecologia do Mar Profundo. 

Apesar de o mar profundo representar cerca de 60 por cento da superfície da Terra, aponta a investigadora da UA, “uma grande parte permanece completamente inexplorada e a Humanidade conhece muito pouco sobre os seus habitats e como estes contribuem para a saúde de todo o planeta”.

“… mar profundo representar cerca de 60 por cento da superfície da Terra”

Para colmatar esta lacuna, Ana Hilário e Kerry Howell juntaram à sua volta uma equipa de cientistas de 45 instituições de 17 países que propõe um programa de investigação, com a duração de 10 anos, dedicado ao estudo do mar profundo. De Portugal, para além da equipa da UA, contribuíram para o desenho do programa também cientistas do CIIMAR (Universidade do Porto), do Okeanos (Universidade dos Açores) e do CIMA (Universidade do Algarve).

O Challenger 150 – o ano 2022 marca o 150º aniversário da expedição do navio HMS Challenger que circum-navegou o globo, mapeando o fundo do mar, registando a temperatura global do oceano, e proporcionando a primeira perspetiva da vida no mar profundo – irá coincidir com a Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável, que decorre de 2021 a 2030.

“Um dos grandes objetivos do Challenger 150 é a capacitação e aumento da diversidade no seio da comunidade científica, uma vez que atualmente a investigação no oceano profundo é conduzida principalmente por nações desenvolvidas com recursos financeiros suficientes e acesso a infraestruturas oceanográficas”, explica a bióloga portuguesa.

“… novo conhecimento será usado para apoiar a tomada de decisões a nível regional, nacional e internacional”

Este programa, esperam os cientistas, irá também gerar mais dados geológicos, físicos, biogeoquímicos e biológicos através da inovação e da aplicação de novas tecnologias, e utilizar estes dados para compreender como as mudanças no mar profundo afetam todo o meio marinho e a vida no planeta.

Este novo conhecimento será usado para apoiar a tomada de decisões a nível regional, nacional e internacional sobre questões como a exploração mineira nos fundos oceânicos, a pesca e a conservação da biodiversidade, bem como a política climática.

Mais e melhor colaboração e conhecimento

Mas o mergulho no mar profundo do Challenger 150 só será possível através da cooperação internacional. Por isso, os investigadores do programa publicam hoje um apelo na revista Nature Ecology and Evolution enquanto, simultaneamente, publicam um esquema detalhado do Challenger 150 na revista Frontiers in Marine Science.

Liderada por membros das redes internacionais Deep-Ocean Stewardship Initiative (DOSI) e Scientific Committee on Oceanic Research (SCOR), a lista de autores dos dois artigos inclui cientistas de países desenvolvidos, emergentes e em desenvolvimento de seis dos sete continentes. Os cientistas alegam que a Década anunciada pela ONU proporciona uma oportunidade ímpar de unir a comunidade científica internacional para dar um salto gigantesco no nosso conhecimento das profundezas do oceano.

“A nossa visão é a de que, dentro de 10 anos, qualquer decisão que possa ter impacto no mar profundo, seja de que forma for, será tomada com base num conhecimento científico sólido dos oceanos”, aponta Kerry Howell. Para que isso seja alcançado, sublinha a investigadora britânica, “é necessário que haja consenso e colaboração internacional”. 

Ana Hilário antevê que “a Década proporciona a oportunidade de construir um programa a longo prazo de formação e capacitação de recursos humanos em ciências do oceano”. Com o Challenger 150, “pretendemos formar a próxima geração de biólogos do mar profundo. Vamos concentrar-nos na formação de cientistas de países em desenvolvimento, mas também de jovens cientistas de todas as nações, incluindo Portugal”. 

Tal formação, acredita, “irá criar uma rede reforçada que permitirá aos países exercer plenamente o seu papel nos debates internacionais sobre a utilização dos recursos marinhos dentro e fora das suas fronteiras nacionais”.

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