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Opinião

Futebol do Alentejo presente e futuro

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2018/2019 A temporada segue o seu curso normal e as equipas alentejanas que participam em seniores no Campeonato de Portugal (antiga 3ª divisão), vão “lutando” como podem apresentando classificações nos lugares que dão acesso a descidas de divisão caso os Campeonatos terminassem esta semana.

Na Serie D do Campeonato jogam as 3 representantes do Alentejo (2 do distrito de Beja e 1 do distrito de Évora), Portalegre não tem qualquer equipa nos Campeonatos Nacionais Seniores.

A melhor colocada atualmente é a formação do Vasco da Gama da Vidigueira, 14ª classificada com 26 pontos a 1 ponto do Louletano, última equipa em zona de manutenção. Nesta temporada os homens da Vidigueira vão no 2º treinador e tem vindo a recuperar na tabela classificativa. 

No 16º lugar com 20 pontos aparece o Moura, equipa que desde 2013/14 altura em que se iniciou o Campeonato de Portugal se mantêm ano após ano como o representante do Alentejo com mais presenças na competição. Este ano o caminho está mais difícil e a equipa não está a conseguir os pontos necessários embora ainda seja possível sonhar com a manutenção. 

Finalmente e no último lugar segue o Redondense, com apenas 1 ponto conquistado em 23 jogos realizados. A equipa da Associação de Futebol de Évora encontra muitas dificuldades na competição e certamente vai seguir o caminho do Estrela de Vendas Novas na temporada passada, do Sporting Viana na anterior e do Juventude de Évora antes dessa.

A realidade é assim cruel e os números não enganam, as equipas Alentejanas sobem e descem quase que invariavelmente (exceto Moura).

Interioridade, falta de organização, falta de apoios, falta de trabalho na formação e recrutamento, ausência de profissionalização ao nível da direções e equipas técnicas, serão estes os motivos ou serão outros?

Entretanto os Campos de Futebol das nossas equipas tem poucos espectadores e as despesas de organização são muitas. O público gosta de bons espetáculos e procura nas televisões e nos estádios da 1ª liga esses jogos. Cada vez mais os adeptos dos Clubes Alentejanos partilham paixões entre a equipa da terra e uma das da 1ª liga. O marketing desportivo perfeitamente dominado e trabalhado pelas grandes equipas vai afogando cada vez mais os clubes do interior.

A solução pode e deve estar na formação, e alguns dos nossos Clubes já perceberam o caminho, se analisarmos agora o que se passa nos escalões de competição a nível nacional os números mudam, felizmente para melhor no que diz respeito ao Alentejo. Campeonato Nacional da 2ª divisão de Juniores, Portalegrense (7º lugar na serie D manutenção), Juventude de Évora (6º lugar na serie E manutenção). Campeonato Nacional de Juvenis, O Elvas (6º lugar na serie C), Despertar (7º lugar na serie D), Lusitano GC 8º lugar na serie D). Campeonato Nacional de Iniciados, Despertar (5º lugar no apuramento de campeão serie sul), Lusitano GC (7º lugar no apuramento de campeão serie sul), Estrela VN (7º lugar na fase de manutenção serie E), SC Estrela (8º lugar na fase de manutenção serie E), Juventude de Évora (4º lugar na fase de manutenção serie F).

A diferença está á vista; equipas nos nacionais seniores 3 (todas em zona de descida), equipas nos nacionais na formação 10. Destas, 2 já alcançaram a manutenção (Despertar e Lusitano em Iniciados), e pelo menos mais 2 certamente chegarão ao final da temporada com esse objetivo alcançado.

O caminho parece claro até porque a Federação Portuguesa de Futebol aposta forte na Certificação de Entidades Formadoras. A metodologia está no trabalho de base com regras, princípios, orientação para que se possam dotar os jovens atletas das condições necessárias para a prática do futebol. Serão 9 os critérios que tem de ser cumpridos para o processo de certificação dos clubes sendo que planeamento, estrutura, recrutamento, formação, acompanhamento médico, acompanhamento escolar, recursos humanos, instalações e logística e ainda a produtividade são fundamentais.

Quem nos próximos anos (clubes) não for entidade certificada poderá não disputar Campeonatos Nacionais, por outro lado quem cumprir os atributos certamente seguirá na frente. O futuro do futebol no Alentejo pode começar por aqui, é necessário ter uma visão e uma estratégia devidamente organizada. 

Uma certeza fica desde já, e sem colocar o trabalho esforçado e de entrega de dirigentes das equipas que militam nos nacionais porque tem a coragem de lá estar (e não é fácil) é necessário fazer alguma coisa para mudar o panorama no futebol senior no Alentejo, a região merece melhor a esse nível.

Opinião

O CRIME QUE DEIXOU DE SER UM PROBLEMA DE SEGURANÇA NACIONAL

A opinião de Rogério Copeto – Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

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Entre 2010 e 2013 o crime de furto de metais não preciosos provocou enormes prejuízos às empresas de telecomunicações e de distribuição de energia, sem esquecer os agricultores, tendo após cinco anos de redução consecutiva, deixado de ser um problema de segurança nacional.

Por motivo do grande aumento deste tipo de crime verificado no inicio da presente década do século XXI, foi o mesmo autonomizado no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) em 2012 e de acordo com o RASI de 2013, foram registados nesse ano 13.422 crimes, tendo em 2014 se verificado uma diminuição para os 8.448 crime, continuando essa diminuição até o ano passado, onde constam no RASI de 2018, 2.260 furtos de metais não preciosos, verificando-se uma redução em cinco anos de 83,2%.

Tal como hoje, no início da presente década o furto de metais não preciosos tinha como principal alvo, qualquer infraestrutura ou equipamento que contenha metal, sendo o cobre, aquele que maiores lucros gere, e por isso ser chamado de “Ouro vermelho”, apesar de não ser um metal precioso.

Qualquer objeto ou infraestrutura que contenha cobre na sua composição constitui ainda hoje um alvo potencial para os criminosos, afetando fortemente uma série de setores económicos estruturantes e essenciais para o País.

O cobre alvo de furto gera um lucro fácil, porque continua a existir procura deste metal. Enquanto os metais considerados preciosos, tais como o ouro e a prata, apresentam um valor intrínseco para quem os furta, bem como para qualquer outro cidadão que os valorize enquanto objeto, o cobre é furtado para ser vendidos em grosso às sucatas, obtendo-se valor quando reintroduzidos no circuito comercial, através da reciclagem. 

E conforme já referido o furto de cobre verificou uma enorme tendência de crescimento no país entre 2010 e 2013, tendo afetado desde as propriedades agrícolas, passando pelas operadoras de telecomunicações e de distribuição de energia, onde o maior prejuízo no furto de cobre resulta dos danos causados, sejam diretos ou indiretos, podendo atingir 50 vezes mais do que o valor do cobre furtado.

Nas operadoras de comunicação e de distribuição de eletricidade, os prejuízos atingem maioritariamente os consumidores, que se vêm impedidos de comunicar e no caso das empresas, de desenvolver a sua atividade. Na agricultura, os furtos nas instalações, podem significar a diferença entre um ano produtivo e um ano com elevados prejuízos.

Há várias razões que explicam a procura do cobre. Por um lado, o mercado global do cobre movimenta, por ano, cerca de 100 mil milhões de euros, sendo que só 30% das necessidades mundiais provêm da atividade mineira.

A restante fatia é obtida a partir da reciclagem e o cobre é reciclável quase a 100%. Nos mercados emergentes, como a China ou a Índia, há uma grande procura de cobre, o que tem feito aumentar o preço da matéria-prima nos mercados internacionais. 

Assim, o valor do cobre aumenta, devido à elevada procura no mercado e sempre que o valor do cobre aumenta, crescem os furtos. 

Mas como foi possível em Portugal este tipo de crime sofresse uma redução de 83,2% em cinco anos, sabendo que a prevenção deste tipo de ocorrência criminal, não é fácil devido à grande dispersão de equipamentos e infra-estruturas por todo o território nacional, agravado pelo facto de se localizarem maioritariamente em zonas isoladas e as medidas de proteção e segurança ativas e passivas serem onerosas e de difícil implementação.

Também o fácil escoamento dificulta a repressão deste tipo de crime, devido à existência muitos locais de recetação e a fácil reintrodução no mercado lícito, especialmente através da exportação.

Pelo exposto anteriormente, facilmente se conclui que o furto de metais não precisos constituiu um grave problema à segurança nacional entre 2010 e 2013, tendo o seu combate tido uma resposta multidisciplinar, que requereu uma atuação coordenada de todas autoridades policiais e judiciais, bem como da sociedade civil e dos agentes económicos.

Esta coordenação foi na altura encabeçada pela GNR, por motivo da maioria dos furtos de metais não preciosos ocorrer na sua zona de ação e porque implementou um conjunto de ações, onde se inclui o “Programa Campo Seguro”, que serviu de lançamento da PSAT  (Associação para a Promoção da Segurança de Ativos Técnicos), criada em fevereiro de 2012 no seguimento da assinatura do Protocolo “Campo Seguro”, entre o Ministério da Administração Interna, representando pela GNR, a EDP Distribuição, a EDP Renováveis, a REFER (Rede Ferroviária Nacional), a EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres, S.A.) e a PT, com o objetivo de estabelecimento de uma parceria ativa com as forças de segurança de modo a melhorar os mecanismos de defesa das infraestruturas dos seus associados, contra o furto de metais.

No âmbito do “Programa Campo Seguro” foram realizados diversos eventos, desde ações de sensibilização em todos as Direções Regionais de Agricultura e Pescas (DRAP) tendo como público alvo os agricultores, bem como a realização de seminários dirigido aos operadores de gestão de resíduos (sucateiras), assim como ações de repressão nomeadamente fiscalizações que levaram ao encerramento de muitas sucateiras ilegais.

Para além disso a GNR associou-se ao projeto europeu denominado Pol-PRIMETT em 2010, que é liderado pela Agência Nacional de Crimes do Reino Unido e reúne parceiros de 8 Estados-Membros da União Europeia (UE), e tem como objetivo a partilha das melhores práticas para combater o furto de metais não preciosos, tendo a GNR sido convidada para organizar a Conferência Anual de 2014, que se realizou no dia 15 de outubro, no Centro de Congressos, em Lisboa e contou com a participação de 187 delegados de 15 Estados-Membros da UE.

Todas estas ações tiveram os seus frutos, mas terá sido a Lei n.º 54/2012, de 6 de setembro, que mais contribuiu para que o furto de metais não preciosos deixasse de ser uma preocupação em Portugal, tendo a mesma integrado os importantes contributos da GNR. 

A referida lei define os meios de prevenção e combate ao furto e de recetação de metais não preciosos com valor comercial e prevê mecanismos adicionais e de reforço no âmbito da fiscalização da atividade de gestão de resíduos, obrigando as sucateiras a implementar um conjunto de medidas, tal como a videovigilância, a obrigação dos registos de material e a proibição de pagamentos a dinheiro.

Para além disso os materiais recebidos nas sucateiras só poderem ser transformados decorridos três dias úteis após a sua receção e sempre que se verifiquem a existência de fortes indícios da prática de crime de furto ou de recetação de metais não preciosos, ou em caso de flagrante delito, as autoridades policiais podem determinar o encerramento temporário das instalações.

Assim, foi possível em cinco anos, o crime de furto de metais não preciosos sofrer uma redução de 83,2%, em resultado da implementação de um conjunto de medidas, que atacaram o problema na sua fonte, a recetação, sustentadas em alterações legislativas e em iniciativas no âmbito da prevenção e da repressão, com base numa atuação coordenada das autoridades policiais e judiciais, bem como da sociedade civil e dos agentes económicos, devendo por isso o trabalho realizado no âmbito do combate ao crime de furto de metais não precisos, ser objeto de estudo e replicado noutros tipos de crime. 

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