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Opinião

Como será o depois?

A opinião de Tiago Abalroado

Tiago Abalroado, presidente da IPSS “UNITATE”
Rádio e Televisão do Sul | TDS

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em

Muitas têm sido nas últimas semanas as tentativas de resposta a esta questão: “Como será o depois?”. Nos jornais, na televisão, em revistas, na Internet, vemos vários especialistas de diferentes áreas profetizarem sobre o que vai mudar, qual vai ser o impacto da pandemia na vida quotidiana, na economia, na política e em muitos outros domínios científicos e sociais.Apesar de tudo o que se diz e se escreve, e sem menosprezar qualquer análise ou perspetiva a respeito, parece que a resposta será simples e óbvia: não sabemos!

“a pandemia de corona vírus despertou-nos bruscamente do perigo maior que os indivíduos e a humanidade sempre correram, o do delírio de omnipotência”

Conseguiremos, no entanto, com relativa facilidade e com maior ou menor grau de aprofundamento, dizer “o que influenciará o depois?”. E neste caso será quase um lugar-comum afirmar que a resposta mais básica e agregadora é: o que aprendemos!

Frei Raniero Cantalamessa, na sua pregação de Sexta-feira Santa, a partir da Basílica de São Pedro, em Roma, lançou o que pode ser considerado uma espécie de mote à explicitação desta resposta abrupta: “a pandemia de corona vírus despertou-nos bruscamente do perigo maior que os indivíduos e a humanidade sempre correram, o do delírio de omnipotência”. Aprendemos que não podemos tudo e aprendemos que todos precisamos de todos.

  1. Aprendemos que o desenvolvimento e o crescimento económico são produto do esforço coletivo da sociedade, das empresas, das organizações sociais e dos serviços do Estado, e que qualquer desequilíbrio que afete a paz social ou algum dos agentes deste sistema poderá ser rastilho para o colapso.
  2. Aprendemos que, não obstante questões ideológicas ou políticas, temos ao nosso serviço um Estado que tem a missão de ser suporte, âncora e alavanca da sociedade e que, por essa razão, devemos no nosso dia-a-dia, não só enquanto contribuintes, mas acima de tudo como cidadãos responsáveis e empenhados, contribuir para o seu robustecimento e para a sua vitalidade.
  3. Aprendemos que o tecido empresarial e produtivo, além de motor nuclear do sistema económico, é fonte de sustento das famílias e garante da autonomia e da soberania do país, sendo, por isso, fundamental a aposta na sua fortificação e o incentivo à sua expansão e diversificação.
  4. Aprendemos que Portugal é detentor de um setor social e solidário singular, feito de instituições que, cobrindo todo o território, protegem e apoiam continuadamente, sem dar muito nas vistas, as crianças, os jovens, os cidadãos com deficiência, os idosos e as pessoas mais vulneráveis, e que, por essa razão, são merecedoras do nosso acarinhamento e envolvimento coletivos.
  5. Aprendemos que, apesar da importância de todas as atividades profissionais, os médicos, os enfermeiros, os técnicos e auxiliares de saúde, os bombeiros, as forças de segurança e os trabalhadores das IPSS assumem um papel fulcral nas comunidades, lutando direta e diariamente pela salvação e manutenção da dignidade da vida dos cidadãos, expondo-se a riscos e perigos inimagináveis e fazendo, não raras vezes, sacrifícios pessoais muito duros.
  6. Aprendemos a viver em e com a família, a conhecer melhor quem está ao nosso lado e a compreender a importância das cedências nas relações para podermos contar com contextos familiares harmoniosos e, a partir deles, sermos agentes de felicidade para nós próprios e para todos aqueles com que nos relacionamos dentro e fora de casa.
  7. Aprendemos a dar mais valor a tudo: aos afetos, à proximidade, à família, aos amigos, aos colegas, às conversas, ao trabalho, à educação, à religião, à cultura, aos hobbies, à tecnologia, à vida em sociedade…

Face a tudo o que aprendemos, estejamos certos de que o depois não será igual ao antes. Não seria sequer desejável que fosse. Para já parece ser evidente que poderemos ter esperança numa regeneração do paradigma social que resultará, em primeira instância, de uma maior intensidade na vivência de cada momento por cada pessoa.

Tiago Abalroado, presidente da IPSS “UNITATE”

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Opinião

Aguenta Firme. Aguenta firme mais 15 dias.

A opinião de José Godinho Rocha, Advogado.

Rádio e Televisão do Sul | TDS

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O Estado de emergência foi prolongado por mais duas semanas e o Governo endureceu as medidas de confinamento, até porque esta é uma guerra ainda longe de estar ganha, e este não é o momento para aliviar a pressão sobre o Coronavírus. 

Mas enquanto se salvam vidas, é necessário também salvar a economia e já agora o estado de direito.

Todos somos poucos para tão hercúlea missão.

O Presidente da República, o Primeiro Ministro, os Partidos e todos os cidadãos têm uma missão e tanto melhor seria se pudéssemos contar com a solidariedade europeia. 

Porém, as respostas que chegam de Bruxelas entre alguns discursos “quase repugnantes” de alguns países europeus sem discernimento, deixam-nos sem balas para dar uma resposta à crise económica, social e política que se avizinha.

Por cá, Rui Rio já admitiu que o pais pode vir a precisar de um governo de salvação nacional, pois a fatura do Coronavírus vai chegar e promete ser pesada.

Que consequências poderão ter estas medidas num futuro imediato do pais?

Ora, o principal determinante da saúde pública é a economia, sabemos que é difícil encontrar o ponto de equilíbrio entre responder àquilo que são as consequências económicas do Coronavírus e protegermo-nos das consequências económicas para a saúde pública de empobrecimento no curto prazo.

Com efeito, já estamos a assistir a uma quebra de rendimentos de muitas famílias e um desemprego que se advinha avassalador.

O que esperar de um futuro imediato?

A resposta é simples, uma vaga de austeridade para recompor o equilíbrio orçamental com um impacto tremendo na saúde pública.

O problema não é só as pessoas que estão diretamente a ser vítimas do Coronavírus, mas as pessoas que irão sofrer com o impacto das medidas daquele.

Assistimos já a centenas de mortes pelo Coronavírus, mas assistiremos a mais mortes em função das variáveis do mesmo.

A paralisação da economia e as diferenças políticas irão ter impactos incomensuráveis no dia-a-dia das empresas e das relações comerciais.

Tem se falado na questão dos Estados se substituírem à economia, cobrindo os riscos decorrentes da pandemia, mas não faltará muito tempo para quem exigiu a intervenção do Estado, exija depois o aumento de impostos.

Rapidamente a confiança política de agora entrará em erosão.

Se a crise de 2008 já abriu a porta aos populismos e olhando para a história, percebemos que neste momento poderemos estar perante um “cocktail” letal em termos políticos que abre a porta a este tipo de movimentos.

Urge a necessidade de ficar alguém de fora, que os cidadãos olhem como alternativa séria, de modo a justificar o seu apoio às medidas muito complicadas que vão ser preciso tomar.

A União Europeia está a mover-se, porém, não se percebeu ainda em que sentido.

O vírus é democrático, vai chegar a todos, mas o seu impacto será assimétrico.

Os países com maior divida pública serão os mais afetados, como é o caso do nosso país.

A estimativas para o lay off apontam para 1000 milhões de euros por mês, que equivale a meio por cento do PIB português, caso seja assim, chegaremos ao final do ano de 2020 com a divida nos 140 % do nosso produto.

Fala se do mecanismo de estabilidade europeu, porém, ainda não percebemos se é ou não viável em virtude de termos uma crise na procura e na oferta.

O contexto atual é completamente diferente do que já existiu.

Neste momento, a economia vai ter dificuldade em arrancar em virtude das empresas que irão falir e temos o problema na procura, porque as pessoas não têm dinheiro.

O risco excessivo de recessão é garantido.

Interpretando as palavras do Ministro Siza Vieira, existirá austeridade em função daquilo que são as imposições das medidas europeias, ou seja, o mesmo é dizer que não quer uma Troika à semelhança do que aconteceu em 2008.

É evidente que vamos passar por um período de austeridade diferente, disso ninguém duvida.

Aguenta Firme.

José Godinho Rocha,

Advogado.

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