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Opinião

“ARS Alentejo não considera prioritários profissionais que trabalham com toxicodependentes e alcoólicos.”

É a opinião de um médico de Beja que refere falta de vacinação nestes profissionais.

Foto: Bruno Baltazar | TDS (direitos reservados)
Rádio e Televisão do Sul | TDS

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Médicos , Enfermeiros , Psicólogos , Assistentes Técnicos e Operacionais , Assistentes Sociais e outros profissionais que diariamente prestam cuidados de saúde presenciais à soluçação de toxicodependentes e alcoólicos em tratamento, não foram vacinados.

“Não foram considerados prioritários”, afirma médico.

Segundo refere o médico Dinis Cortes, de Beja, “Os colegas de todo o País , das Unidades Especializadas do Algarve , de Coimbra , Loures etc. etc. já foram vacinados contra a covid, tanto quanto me vim a aperceber nos últimos contactos interprofissionais. Estou PESSOALMENTE MUITO DESILUDIDO com esta decisão vinda de Évora ( onde os profissionais do CRI – ex-CAT local já foram vacinados com “sobras de vacinas”) e não posso como Médico e Profissional de Saúde há mais de 42 anos aceitar de bom grado tal decisão.”

O médico adianta que o “Baixo-Alentejo é mais uma vez discriminado e a área da Toxicodependência e do Álcool mais uma vez remetida a um “esquecimento” ou “desvalorização” .”

“Não sei se manterei a disponibilidade para me manter ao serviço”

O conhecido médico revela ainda que “Há Comunidades Terapêuticas no Baixo Alentejo com 20 ou mais Residentes Toxicodependentes e Alcoólicos em tratamento cujas equipas não foram tidas em conta para o estabelecimento de prioridades.

Aguardamos desde o início de Janeiro a “ordem para vacinar”…e até agora..nada…apenas a notícia de que “não somos prioritários”…”

Leia o protesto do médico Dinis Cortes

ESTOU PASMADO E INCONFORMADO!!!

Tive recentemente conhecimento de que as equipas, em que me incluo como Médico Aposentado Recontratado, de Médicos , Enfermeiros , Psicólogos , Assistentes Técnicos e Operacionais , Assistentes Sociais e outros profissionais que DIÁRIAMENTE PRESTAM CUIDADOS DE SAÚDE PRESENCIAIS à nossa população TOXICODEPENDENTE e ALCOÓLICA em tratamento NÃO FORAM CONSIDERADOS PRIORITÁRIOS para vacinação para COVID – 19 por quem de direito , leia-se pelos responsáveis PELA ÁREA COVID na A.R.S. Alentejo.

Os colegas de todo o País , das Unidades Especializadas do Algarve , de Coimbra , Loures etc. etc. já foram vacinados, tanto quanto me vim a aperceber nos últimos contactos interprofissionais

Estou PESSOALMENTE MUITO DESILUDIDO com esta decisão vinda de Évora ( onde os profissionais do CRI – ex-CAT local já foram vacinados com “sobras de vacinas”) e não posso como Médico e Profissional de Saúde há mais de 42 anos aceitar de bom grado tal decisão.

O Baixo-Alentejo é mais uma vez discriminado e a área da Toxicodependência e do Álcool mais uma vez remetida a um “esquecimento” ou “desvalorização” .

Longe vão os tempos em que o Poder Político nos valorizou como Unidades Operacionais, enquanto MELHOR SERVIÇO PÚBLICO DE INTERVENÇÃO EM COMPORTAMENTOS ADITIVOS DO MUNDO sendo “case study” ou “study case” como queiram, por exemplo e de entre vários, para a Administração Obama nos E.U.A.

Há Comunidades Terapêuticas no Baixo Alentejo com 20 ou mais Residentes Toxicodependentes e Alcoólicos em tratamento cujas equipas não foram tidas em conta para o estabelecimento de prioridades.

Aguardamos desde o início de Janeiro a “ordem para vacinar”…e até agora..nada…apenas a notícia de que “não somos prioritários”…

PERDI A CONFIANÇA…vale o que vale, dirão alguns…

Não sei se manterei a disponibilidade para me manter ao serviço, ponderando seriamente pedir o términus do meu contrato. Se a iniciativa for de quem me contrata também não ficarei admirado… Conhecem-me bem e sabem que contaram sempre comigo para a defesa do Serviço Nacional de Saúde e a defesa acima de tudo dos DOENTES e desses, OS MAIS FRAGILIZADOS!

Sinto que , por me “manter na fila de espera” ao lado dos meus colegas de trabalho…fui, não “eu” como pessoa , mas como “prestador de cuidados presenciais” prejudicado e relegado para segundo plano em relação a outros que trabalham noutros serviços públicos de saúde.

Fui sempre LEAL , ASSERTIVO E CIENTÍFICAMENTE ENQUADRADO durante os mais de 20 anos que dediquei a esta área .

Sou Médico e basta, no entanto,

PERDI A CONFIANÇA…E estou no meu direito!

Cerca de duas dezenas de profissionais que se organizaram devidamente , com alto nível de brio profissional para manter em programa de Metadona ou Buprenorfina centenas de doentes no Baixo-Alentejo , com acessibilidade absoluta por parte dos doentes , que mantiveram consultas presenciais a uma população geralmente desenquadrada e com evidentes comportamentos de risco decorrentes muitas vezes da sua desorganização pessoal são desvalorizados nesta decisão. É injusto.

Em minha opinião quem assim decide omite gravemente o facto de lidarmos diária e presencialmente com população portadora de co-morbilidades graves , como HIV e HEPATITES, muita dela desenquadrada socialmente.

Se o argumento for que não prestamos cuidados directos a população COVID é uma desculpa esfarrapada e inaceitável dado que estão a ser vacinados por todo o País profissionais de saúde que lidam com todo o tipo de doentes e não doentes sejam eles COVID ou Não COVID.

Nada reivindico para mim , Médico com 65 anos , Diabético Insulinodependente e que tem prestado diáriamente cuidados de saúde a doentes Toxicodependentes e Alcoólicos.

Posso ser sem quaisquer problemas ser O ÚLTIMO CIDADÃO a ser vacinado no Baixo-Alentejo.

Nunca passei à frente de ninguém e não seria esta seguramente a primeira vez, mas ao ver os profissionais que diáriamente organizam , entrevistam , acolhem , motivam e TRATAM a nossa população Toxicodependente e Alcoólica fico TRISTE , MUITO TRISTE com esta decisão.

É por eles que escrevo estas linhas

As DICAD e os CRI onde estes profissionais trabalham devem ser consideradas PRIORITÁRIAS para vacinação COVID 19 para bem , fundamentalmente dos UTENTES e DOENTES com quem PRESENCIALMENTE lidam diáriamente

BEJA , 6.2.2021

DINIS CORTES , Médico

Cédula Profissional 22032 da Ordem dos Médicos

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Opinião

O Alqueva pode não chegar para todos

Texto de André Namora, publicado no site HojeMacau

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Hoje vou contar-vos uma história surreal.

Encontrei um amigo alentejano e falou-me do maior lago artificial da Europa, o Alqueva.

Todos devem estar lembrados de como começou o Alqueva, com a possibilidade de as águas virem a submergir algumas aldeias ali existentes e até se construiu uma aldeia semelhante a uma que ficou debaixo de água.

O meu amigo contou-me que na altura de se retirarem pessoas e bens da aldeia, o seu pai estava no hospital.

Ele levou para sua casa montes de caixas e objectos da família. Nas caixas de papelão encontravam-se imensos escritos de seu pai que o meu amigo resolveu mexer mais tarde até porque o senhor seu pai veio a falecer.

Recentemente, resolveu começar a rasgar papéis e encontrou uma carta do pai onde estava escrito que tinha construído um alçapão por baixo da sala da lareira e que no seu interior encontrava-se o dinheiro (muito) de uma vida.

Naturalmente, que o meu amigo quase enlouqueceu porque a aldeia e o dinheiro estão lá muito no fundo das águas do Alqueva.

E um lago que é o maior da Europa, local já de grande turismo, com barcos-casas, com aviões a amarar, com uma praia fluvial lindíssima, com tudo isto, está em perigo de não chegar para todos no Alentejo.

Um reservatório gigante de água pode vir a ter restrições severas e imediatas para aqueles que actualmente são servidos.

A barragem do Alqueva é um sonho com séculos dos alentejanos que foi concretizado apenas na década passada. As obras começaram em 1996 e as comportas foram encerradas em 2002.

Neste momento, com a muita chuva que tem caído, está apenas a três metros do seu limite de enchimento.

A quantidade máxima de água é de 4 150 000 000 000 litros de água, uma monstruosidade, mesmo assim este volume é da mesma ordem de grandeza de todo o consumo anual de água em Portugal incluindo todo o regadio, o abastecimento humano e a indústria.

A título de exemplo, olhando para as disponibilidades do Guadiana vemos um rio muito artificializado e explorado do lado espanhol, mas que faz chegar à barragem de Alqueva, por ano e em média, de cerca de 2000 hm3 e logo a sua albufeira pode armazenar cerca de 2 anos de escoamento médio.

Na verdade, o Alentejo parece outro, há hectares verdinhos e onde nunca mais faltará água. Mas, há um problema bicudo: o Alqueva pode não chegar para todos. Como assim?

Acontece que os responsáveis pela barragem têm os seus clientes e os acordos para determinados regadios e esses clientes começaram a estragar tudo em 2019. Esses proprietários que já estão beneficiados têm naturalmente, outra perspectiva pois acreditam que a expansão pode lhes ser confiada para estenderem as suas redes privadas de distribuição de água às áreas vizinhas.

Muitos deles já concretizaram essa expansão explorando as chamadas “áreas precárias”. Segundo os técnicos é essencial travar o crescimento de essas “áreas precárias” que já somam cerca de 18 mil hectares, quando o total da rega atinge 95 mil hectares.

A água do Alqueva não é ilimitada, mas com os cenários de consumo e eficiência que hoje conhecemos será suficiente para garantir o abastecimento de todos os clientes actuais – integralmente em áreas exploradas pelos responsáveis da barragem e reforçando os sistemas confinantes ligados – bem como toda a expansão projectada que já começou a ser concretizada e conta com financiamento assegurado.

O que o Alqueva nos deixa a pensar é como antes, durante décadas, os alentejanos viviam com as secas e iam à fonte com o recipiente de barro buscar água para beber e para a horta e nos tempos de hoje já se pensa na ganância total para se ficar rico expandindo a água por onde lhes apeteça.

O Alentejo está lindo com o Alqueva, mas é importantíssimo pensar que a água é um bem indispensável com tendência mundial a desaparecer.

*Texto escrito com a antiga grafia

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