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A PROTEÇÃO DE CRIANÇAS E JOVENS EM PERIGO

A opinião de Rogério Copeto, Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

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No próximo dia 1 de junho comemora-se o “Dia Mundial da Criança”, sendo a existência de um “Sistema de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo”, fundamental numa sociedade que protege as suas crianças e jovens. 

O “Sistema de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo”, a que nos referiremos como “Sistema”, tal como existe atualmente, encontra-se em vigor desde o dia 1 de janeiro de 2001 e é sustentado pela Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (LPCJP), que nos últimos 18 anos, foi alterada duas vezes, tendo a ultima alteração sido em junho de 2016.

O “Sistema” é facilmente explicado, pelo que irei recorrer ao papel que a GNR e a PSP desempenham nesse sistema, sendo a imagem de uma pirâmide o que melhor o representa onde na sua base se encontram as instituições de primeira linha, as chamadas entidades com competência em matéria de infância e juventude e que realizam a primeira intervenção, sendo nessa fase uma intervenção consensual entre as referidas instituições e as famílias. 

No segundo patamar encontram-se as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (CPCJ), sendo a sua intervenção consentida, mediante assinatura de um acordo de proteção e promoção entre a CPCJ e as famílias. 

E no terceiro patamar encontram-se os Tribunais, onde a intervenção é impositiva, intervindo unicamente quando todas as instituições atrás falharam na proteção ou as famílias se opuseram à intervenção das CPCJ.

Verifica-se que a intervenção da GNR e da PSP no “Sistema” é transversal a toda a pirâmide, intervindo em todos os três patamares, no desempenho de duas das suas funções mais importantes: a social e a jurídica. 

A GNR e a PSP constituem-se como entidade de primeirta linha, no primeiro patamar, quando desempenham funções sociais, no âmbito da prevenção, no segundo patamar como integrante de pleno direito das CPCJ, juntamente com a Educação, a Saúde, a Segurança Social, as Autarquias, etc, e no terceiro patamar como coadjuvante do Ministério Público, na qualidade de Órgão de Policia Criminal, na investigação dos crimes associados às situações de perigo e que são remetidas aos Tribunais pela CPCJ, por não terem jurisdição para intervir nessas situações.

Presentemente existem 309 CPCJ instaladas, estando a GNR e a PSP representadas em todas as Comissões Alargadas (CA), encontrando-se também na maioria das Comissões Restritas (CR), nas quais se organizam as CPCJ.

Seja na CA ou na CR, a GNR e a PSP acompanham o cumprimento das medidas de proteção e promoção aplicadas às crianças, que vão desde a menos gravosa que é o apoio junto dos pais, à mais gravosa que é o acolhimento em instituição, sendo a adoção a única medida que as CPCJ não podem aplicar, cabendo a sua aplicação, unicamente aos Tribunais.

E de acordo com o relatório de “Avaliação da Atividade das CPCJ de 2018”, a GNR e a PSP são a primeira entidade que mais crianças em perigo sinalizam às CPCJ com 34,6% do total das sinalizações efetuadas, sendo os estabelecimentos de ensino a segunda com 21,9%, representando estes dados só por si a grande importância que a GNR e a PSP têm no “Sistema”.

Concluindo-se que a GNR e a PSP, quer seja na sinalização, quer no acompanhamento das crianças, conhecendo a realidade social da comunidade como nenhuma outra instituição conhece, sendo exemplo disso o papel fundamental, que a GNR e a PSP têm na retirada de crianças que se encontrem em perigo atual e iminente e exista oposição dos pais, cuja intervenção na aplicação dos procedimentos de urgência é essencial e imprescindível.

A GNR e a PSP durante estes anos adequaram também o modelo de policiamento, fundamental para que possam responder aos atuais desafios colocados na proteção das crianças em perigo, constituindo linhas prioritárias da sua atuação: a promoção duma política integrada de prevenção e contenção da criminalidade; o fortalecimento de parcerias locais com organismos governamentais, autarquias locais e sociedade civil, tendo em vista uma abordagem mais eficaz à especificidade de cada comunidade; fomentar a responsabilidade e a participação dos cidadãos.

Nesse âmbito a GNR e a PSP criaram várias valências para melhor responder ao problema, quer no âmbito do “Programa Escola Segura”, quer no âmbito do apoio e proteção das vítimas de violência doméstica, concluindo-se que, tanto a GNR como a PSP estão preparadas e dispõem das valências necessárias para dar o seu importante contributo na promoção e proteção de todas as crianças e jovens em perigo, tornando o “Sistema” mais eficaz e eficiente.

E os resultados do “Sistema” são apresentados todos os anos no “Encontro Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ”, em cumprimento do estabelecido no artigo 32º da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo, tendo a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens escolhido a cidade de Tavira, para apresentar entre os dias 22 a 24 de maio, o relatório de “Avaliação da Atividade das CPCJ de 2018” e já anteriormente referido.

Por isso, na semana passada foram vários os OCS que deram eco das conclusões do referido relatório, tendo o Público do dia 23 de maio, publicado o artigo “Tribunais salvam 1800 crianças por incapacidade dos pais em resolver situações de risco”, onde referia que “No ano passado, houve 1727 casos de crianças em perigo cujos pais não cumpriram as condições que tinham sido determinadas no âmbito das medidas de promoção e proteção definidas pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) que os acompanhava. Estes processos foram, por isso, remetidos a tribunal”.

Ou seja, das 60.493 crianças que foram acompanhadas pelas 309 CPCJ em 2018, só 2,9% dessas crianças viram o seu processo transitar para os tribunais, concluindo-se que as entidades de primeira linha e as CPCJ conseguiram uma eficácia de 97,1% na sua intervenção, pelo que o título do artigo do Público deveria ser “CPCJ salvam 59.000 crianças por incapacidade dos pais em resolver situações de risco”. 

Pelo anteriormente referido, conclui-se que as CPCJ têm a responsabilidades de proteger dezenas de milhares de crianças e jovens em perigo todos os anos, sendo constituídas por pessoas de várias instituições, onde se incluem militares da GNR e agentes da PSP e que assumem, muito provavelmente, a mais elevada responsabilidade que se poderá atribuir a um cidadão, tendo como única gratificação saberem que o “Sistema” que servem tem uma eficácia de 97,1%.

Rogério Copeto 

Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

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Os Monges foram embora e São Bruno também. Imagem do Santo está agora na Igreja de S.Francisco.

A Opinião de Susana Nogueira (Técnica Superior da Igreja de São Francisco de Évora)

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A vida tem destas coisas: mistérios da fé, desígnios de Deus.

Sete irmãos fundaram a Ordem, com São Bruno à cabeça, sete chegaram a Évora em 1587, ficaram alojados no Paço Real de São Francisco enquanto dirigiam as obras do seu mosteiro, e sete regressaram em 1960, após o encerramento do convento determinado pelo decreto de extinção das Ordens Religiosas publicado a 30 de Maio de 1834. No seguimento destes tempos difíceis, os caminhos de franciscanos e cartusianos haviam de se cruzar uma e outra vez.

Com Santa Maria Scala Coeli votada ao abandono, foi com imensa alegria que a imagem seiscentista de São Bruno encontrou o seu lugar na igreja de São Francisco, onde esteve exposta à devoção durante 120 anos. Felizmente, o Convento da Cartuxa foi entretanto reativado pela mão de Vasco Maria Eugénio de Almeida, e a escultura do fundador devolvida à casa-mãe. Um regresso celebrado por uns e contestado por outros devido ao regime de clausura daqueles monges lhe interditarem o acesso.

São Bruno estava onde devia e o convento mantinha a essência dos longínquos anos de 1598, quando os primeiros irmãos lá se instalaram e se tornaram num verdadeiro pilar da vida contemplativa do país. Nos últimos 60 anos viveram em comunhão silenciosa e harmoniosa com a cidade, que aprendeu a acarinhar e respeitar esta comunidade, sobretudo na relação com o padre Antão López que a ninguém deixou indiferente e se tornou o rosto dos cartuxos em Évora. É pois com profundos sentimentos antagónicos que assistimos à partida dos quatro cartuxos de Évora rumo a Burgos e a Barcelona, e ao regresso de São Bruno à igreja de São Francisco, um novo ciclo que encerra um grande ciclo.

A ocasião propícia para este regresso foi a ordenação sacerdotal de Paulo Fonseca, após ter abraçado durante cinco anos o modo de vida cartusiano. O dia, 6 de Outubro, coincide com o da festa litúrgica de São Bruno. Agradecemos a anuição do Arcebispo de Évora e do prior do convento, que considerou ser justo que os Cartuxos o pedissem e é justo que a Diocese o peça. Agradecemos ainda mais ao padre Antão as preciosas informações que possibilitaram a identificação de um dos altares de São Francisco como o altar original de São Bruno, então venerado na sala do capítulo da Cartuxa. Bem haja. Nas palavras do Cónego Manuel Ferreira, pároco desta igreja, “imploro a bênção de Deus para os monges da Cartuxa Scala Coeli”.

A Opinião de Susana Nogueira (Técnica Superior da Igreja de São Francisco de Évora)

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