Siga-nos

Opinião

A opinião de José Palma Rita

Texto de opinião

Palma Rita

Publicado

em

Há vários anos que me questiono e preocupo sobre estas ameaças, que são, não apenas reais como emergentes e galopantes. Mas, fico sempre na dúvida sobre o sentido da minha marcha no desfile do pelotão: os olivais e vinhas de regadio pululam no Alentejo a cada amanhecer como se a água fosse um recurso inesgotável e as espécies plantadas fossem imunes e resistentes, face às alterações climáticas que se fazem sentir…

Por outro lado, a cada Plano Estratégico de Desenvolvimento setorial, nomeadamente no turismo, vemos, ouvimos e lemos (não deveríamos ignorar, como diziam outros … em outros tempos), apenas cenários dourados, sem qualquer referência à ameaça climática, como se a mesma não fosse real ou fosse problemática apenas para as longínquas gerações futuras.

Bem … por vezes sentimos necessidade de nos remetermos ao silêncio, pois, elevar a voz da razão, só arriscaria críticas ferozes de certa (suposta elite académica) consultadoria dos estudos estratégicos para a Administração Pública que escreve o que o cliente quer ouvir e não o que deveria ser escrito, a bem das gerações futuras e do interior pobre do país, nomeadamente Alentejo e Algarve. ….

É preciso vir um indiano dizer-nos o óbvio, porque nós nos recusamos a refletir sobre a realidade, empurrando com a barriga, para os nossos filhos? Uma vergonha, a nossa irresponsável atitude. Eu próprio, me confesso.

Opinião

João…podias-me ter dado algo em que acreditar mas não deste.

Esta é a minha opinião

Amilcar Matos

Publicado

em

Esta é a minha Opinião após a intervenção de João Miguel Tavares no 10 de Junho em Portalegre

Sabes que te ouvi lá mesmo. Estava ali bem na frente e quando te escutava lembrei-me que podias ser alentejano.  No dia anterior já mo tinhas dito na conversa breve que tivemos. 

Soube também que eras daqui quando a dona Ermelinda, aquela que mora no alto da rua em que nasceste, me disse que te cumprimentou e que tu de olhar altaneiro e superior simplesmente lhe respondeste ‘Olá’.  

Não se responde ‘Olá’ a quem nos viu quase nascer. Um alentejano  responde mais do que ‘Olá’. Principalmente quando se regressa ás origens e se tem a oportunidade de olhar nos olhos quem nunca mais vimos.

Mas vamos ao discurso. 

Ouvi-te de perto e logo no momento me tocou.  Falaste de tantas coisas que Nós aqui falamos todos os dias. Do interior das oportunidades do jogo viciado do grito que damos sem resposta do quanto lutamos simplesmente para ser iguais aos outros.

Os outros de que tu fazes parte. Dos que em Lisboa olham o pais de forma diferente. 

Dos outros que nos perguntam se  somos de Lisboa ou daqui. Dos outros de que tu falas mas com os quais te confundes.

Dos outros com os quais comes na mesma ‘gamela’.

Dizes tu que é ‘preciso conhecer as pessoas certas que é preciso ter os amigos certos e que é preciso nascer na família certa”. João mas isto és tu…lembras-te?

Sabes que quando te ouvi dizer que as oportunidades são diferentes que a cunha vale mais que tudo lembrei-me também de ti.

Sei que foste bem cedo para a capital e o resto sabes tu melhor do que ninguém.

É com os que fizeram um percurso idêntico ao teu e que visitam a terra uma vez por ano, que dizem que são da província mas que a ignoram todos os dias que tu te misturas.

Ouvi-te no 10 de junho  mas fiquei ‘deslumbrado’ com tanta merda de opinião para te enaltecer a uns píncaros que nem tu imaginavas que podias alcançar.

Ouvi-te falar de corrupção. Daquela que os que estão próximos de ti praticam. Das oportunidades que ela (corrupção) nos tira a nós do interior. A Nós não a ti. 

Tiveste durante tantos anos tantas oportunidades tantos palcos e vens agora falar disso tudo? 

Olhei para o que escreveste e não vi lá nada que encaixe com o que agora dizes.

“As Incríveis aventuras da super-miúda, Manuel de sobrevivência para pais e maridos, O pai mais horrível do mundo, Uma baleia no quarto, A crise explicada às crianças e Os homens precisam de mimo”, foi isto João que tu escreveste.

Tu nunca falaste de Portalegre tu nunca lutaste por Portalegre. Tu nunca lutaste pelo interior.

Então tu no próprio discurso do 10 de junho vens falar de auto estradas que foram feitas com dinheiros da europa e que estão às moscas? Estás a falar da A6 a mais próxima da tua terra. 

Sabias que ela existia ou ficaste a saber no dia 8 à noite quando vieste para as comemorações?

Sabes que a A6 de que falas liga duas capitais europeias, rompe uma região sem nada, irá servir uma linha férrea que irá ligar Sines ao Caia, que pode não ter muito trânsito como as estradas onde tu andas todos os dias mas que é uma das poucas desta região. 

Tu sabes isto João?

Disseste tu…”A falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados, incapazes de acreditar num país meritocrático.”. 

João deixa-te disso. A falta de esperança? Mas qual esperança? Oportunidades? Mas quais oportunidades?

Meu caro. Nós aqui somos adultos e já não estamos desencantados. Somos é realistas hoje mais do que nunca. Porque os que estão aí contigo nos fazem ser assim.

Tu não sabes o que é ser Alentejano. O que é desenvolver o dia a dia nesta terra. Sentir tudo o que tu falaste e muito mais na própria pele. 

Por isso te digo. O teu discurso pode ter muitas virtudes e até pode ser um grande discurso mas não é sentido, não foi vivido não é sofrido.

O discurso pode ser tudo isso mas o testemunho não existe. Parece-me um discurso à medida de quem te convidou e que não o podia escrever e muito menos ler.

Uma daquelas encomendas que se fazem aos amigos.

De recados, João, estamos Nós fartos .

Queres cá vir um dia? Sim passar um dia aqui no Alentejo. Fazeres aqui jornalismo, sentires aqui o que tu dizes que Nós passamos. Pagares os mesmos impostos que pagas em Lisboa. Ter más estradas, ter maus comboios, não ter aeroportos nem centros culturais como tu aí tens. 

Afinal o que tu tens e que Eu como tantos outros não temos tido é aquilo que tu dizes. 

Um amigo uma família uma cunha.

Tu ainda tiveste mais uma coisa. Um palco.

E porque tiveste um palco podias-me ter dado algo em que acreditar…mas não deste.

Continuar a ler

Top

TDS Peça Orçamento