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A “OPERAÇÃO CEGONHA” E UMA HOMENAGEM

A opinião de Rogério Copeto – Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

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O presente artigo tem como objetivo dar a conhecer a atividade que a GNR realiza todos os anos, no âmbito da operação de segurança aos exames nacionais e que este ano tem a denominação de “Operação Cegonha”, e lembrar os Guardas Principal Maria João Moura e António Godinho, que faleceram faz no próximo domingo, dia 23 de junho, cinco anos, em cumprimento da operação dos exames nacionais de 2014. 

A “Operação Cegonha” visa garantir a segurança em todo o processo que envolve a realização das provas de aferição e dos exames nacionais aos alunos do 2º, 5º, 8º, 9º, 11º e 12º ano, cujos exames nacionais finais do secundário, se iniciaram nesta 2ª-feira, dia 17 de junho, tendo por isso a GNR iniciado no dia 24 de maio a “Operação Cegonha”, que desde 2010 assume um nome de código de uma ave, terminando a mesma no dia 5 de agosto, com afixação dos resultados das provas referentes à 2ª chamada.

A missão da GNR no âmbito da “Operação Cegonha” começou com o levantamento das provas na Editorial do Ministério da Educação no dia 24 de maio, que ficaram guardadas até serem distribuídas pelas escolas à sua responsabilidade, nos dias da realização das mesmas, segundo o calendário estabelecido pelo Ministério da Educação.

Esta missão é garantida maioritariamente pelos militares das Seções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário (SPC), afetos ao programa “Escola Segura”, garantindo que as provas decorram com normalidade e tranquilidade, estando por isso incumbidos do transporte e guarda dos enunciados até aos dias dos exames.

Conforme referido, os testes ficam à guarda da GNR até serem entregues aos professores credenciados, uma hora antes da realização das provas, para que todos os alunos os concretizem em pé de igualdade e sem haver fugas de informação, sendo esse facto uma garantia que só a GNR e PSP, podem assegurar, sendo por isso Portugal considerado como exemplo nesta matéria, porque a maioria dos países europeus, que também realizam exames nacionais, utilizam os serviços postais, para a distribuição das provas.

Assim, para cumprimento desta enorme operação de segurança, de grande responsabilidade, são empenhados todos os anos, várias centenas de militares e viaturas da GNR, que garantem segurança em todas as fases do processo, sem nunca, até ao momento, ter existido qualquer falha que obrigasse à repetição das provas, comos seria numa eventual fuga de informação, sobre o conteúdo dos testes, antes da sua realização.

Depois de concluída a prova por todos os alunos, os militares da GNR recebem das mãos dos professores as provas lacradas, que são novamente guardadas pela GNR até serem entregues ao júri de correção, terminado assim o empenhamento da GNR, com a afixação dos resultados.

Pelo atrás referido, conclui-se que ano após ano, os exames nacionais têm decorrido com a normalidade e tranquilidade que a isso exige, sendo só possível devido ao grande profissionalismo e espírito de sacrifício de todos os militares das SPC, merecendo da nossa parte o maior reconhecimento por esse trabalho de bastidor, que muito contribui para o sucesso da missão, num evento da maior importância, não só para os alunos que realizam as provas, mas também para toda a comunidade escolar.

Foi com esse espirito de sacrifício, abnegação e coragem que os Guardas Principal Maria João Moura e António Godinho se encontravam a cumprir a “Operação Açor”, faz no próximo dia 23 de junho, precisamente cinco anos, quando um acidente rodoviário, numa estrada do distrito de Évora lhes tirou a vida.

A Guarda Principal Maria João Moura e o Guarda Principal António Godinho pertencentes à SPC do Destacamento Territorial de Reguengos de Monsaraz, faleceram vítimas de um acidente de viação, quando se deslocavam de Évora para Reguengos de Monsaraz pela na EN nº 256, pelas 16h18 do dia 23 de junho de 2014, depois de terem entregue, na sede de Agrupamento de Exames em Évora, os exames nacionais de matemática do 9º ano, realizados nessa manhã, nas escolas que tinham à sua responsabilidade no âmbito da “Operação Açor”.

A estrada que ficou marcada para sempre na nossa memória, por ter tirado a vida aos nossos camaradas, também foi responsável por outros acidentes, sendo o troço da EN 256 onde ocorreu o acidente, considerado como uma armadilha mortal há vários anos, por quem tem de a usar todos dias, nas suas deslocações entre Évora e Reguengos de Monsaraz.

Entretanto esse troço da EN 256 foi substituído por uma nova variante e nova Ponte do Albardão sobre o Rio Degebe, inaugurada no dia 31 de julho de 2017, visando a correção do traçado anterior com várias curvas, resolvendo assim um grave e persistente problema de segurança rodoviária do distrito de Évora.

Tendo em conta a proximidade da Maria João Moura e do António Godinho com toda a população de Reguengos de Monsaraz, especialmente os mais novos e os mais velhos, por motivo do seu trabalho no âmbito dos programas “Escola Segura” e “Idosos em Segurança”, a autarquia de Reguengos de Monsaraz prestou-lhes a devida homenagem, no dia 29 de abril de 2017, com a atribuição dos seus nomes a uma rua junto a uma escola daquela cidade.

Pelo exposto facilmente se percebe que o trabalho que a Maria João Moura e o António Godinho desenvolveram marcou, novos e velhos, sendo o Projeto “Gerações de Mãos Dadas”, o expoente máximo desse trabalho, que nasceu em 2011, da necessidade de envolver a comunidade mais nova, com os mais velhos, fomentando a comunicação, interação, partilha de conhecimentos e experiências e a solidariedade entre as crianças e idosos sob o lema “Ninguém é tão novo que não possa ensinar e ninguém é tão velho que não possa aprender”.

Tendo em conta os resultados apresentados pelo que o Projeto “Gerações de Mãos Dadas”, o mesmo foi considerado pelo Comando da Guarda como boa prática e apresentado à 3ª edição do “Prémio Manuel António da Mota”, juntamente com mais 180 instituições, cujo tema do prémio foi no ano de 2012 subordinado ao “Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações”, tendo como reconhecimento sido considerado uma das 10 candidaturas finalista ao referido prémio, e por isso receberam, no dia 16 de dezembro de 2012 no Palácio da Bolsa no Porto, das mãos do Presidente do Conselho de Administração da Mota-Engil, SPPS, Dr. António Mota, uma menção honrosa e um prémio pecuniário no valor de 5.000 euros, bem como os maiores elogios de todos as outras instituições e membros do júri.

Mas o seu maior orgulho foi verem a GNR reconhecer-lhes o seu trabalho, ao implementar o Projecto “Gerações de Mãos Dadas” em todo o dispositivo da GNR, no dia 1 de outubro de 2012, para assinalar o “Dia Internacional do Idoso”, tendo sido realizadas 184 ações, que empenharam 403 militares e abrangeram 5.036 idosos e 4.751 crianças, tendo esse trabalho sido ainda reconhecido através de público louvor, onde são realçadas as “…elevadas qualidades humanas, elevada dedicação ao serviço, invulgar sentido do dever e da responsabilidade, aptidão para bem servir e sensatez no desempenho das diversas missões e tarefas que lhe têm sido confiadas”.

Outros tantos reconhecimentos foram sendo manifestados ao longo da sua carreira, fazendo parte os milhares de agradecimentos e elogios que recebiam todos os dias de centenas de crianças e de idosos, que viam na Maria João e no Godinho os seus “Anjos da Guarda”, por terem pautado, tanto a sua vida profissional, como a sua vida pessoal no fazer o bem e em dar o seu modesto contributo para melhorar a qualidade de vida das pessoas, com quem se relacionavam, especialmente os mais frágeis.

No cumprimento da missão da GNR, foram milhares e milhares os quilómetros que a Guarda Principal Maria João e o Guarda Principal Godinho fizeram nas estradas do distrito de Évora, a caminho das escolas, dos montes isolados, dos lares de terceira idade e das dezenas de instituições com quem a GNR se relaciona e sempre em prol das populações mais vulneráveis, como as crianças e os idosos.

Fisicamente a Guarda Principal Maria João e o Guarda Principal Godinho deixaram de estar entre nós, mas devido às marcas que deixaram nos seus familiares, nos seus amigos, nos seus camaradas, superiores hierárquicos, autarcas, professores, técnicos e toda a população que serviam, do mais anónimo ao menos, especialmente as crianças e os idosos, não será possível esquece-los, sobretudo a sua alegria de viver e o profissionalismo que colocaram em tudo o que faziam.

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O que ficou da tourada de ‘Coruche’

Artigo de opinião de Amílcar Matos

Amilcar Matos

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Agora que o ‘barulho’ de Coruche acalmou vamos lá falar daquela tourada. 

Foi de facto mau demais para todos. Cavaleiros, forcados, cavalos e toiros. Nenhum foi deveras Nobre como se pretende numa corrida de toiros.

Isto acontece nas touradas, num concerto num jogo de bola. Por vezes as coisas não correm bem e as partes, em consequência, saem mal.

De Coruche fica tudo o que já se disse mas eu quero realçar outras coisas. A entrega, a dor, o sofrer em conjunto e o mais importante … a interajuda ou entreajuda.

As fotos mostram colhidas, mostram rostos de dor, animais em aflição mas mostram essencialmente a união de todos em prol dos que naquele preciso momento mais precisam de ajuda. 

Fosse Homem ou outro Animal.

Já não me é novidade essa interajuda na festa dos touros. No futebol nem sempre é assim, quando alguém precisa de Nós na rua por vezes até se ignora esse alguém mas nos toiros não . Nos toiros naquele momento existe essa prioridade independentemente do erro cometido, do arriscar em demasia. Nada interessa só vale naquele momento aquela ajuda.

De Coruche ficaram mazelas em pessoas, o sempre lamentável abate de um animal e uma imensidão de teorias, opiniões, assassinatos e difamações.

Curiosamente tudo isto sobre pessoas vindo de pessoas.

Coruche não altera nada. Quem gosta de touradas continua a gostar quem não gosta continua a não gostar.

E todos mas todos tem esse direito.

De Coruche fica contudo uma lição. 

‘A natureza racional e emocional do ser humano deverá constituir uma obrigação moral e ética de responsabilidade e de protecção para com os outros animais.’

A frase foi utilizada por um partido no seu programa eleitoral nas eleições de 2015 e não poderia estar mais correta.

Coruche foi isso mesmo. Uma prova de ajuda e proteção ao ser humano mas também aos outros animais.

E mais. O artigo 13.o do Tratado da União vem dizer que não podemos desconsiderar a natureza senciente e consciente do animal. 

Nada mais verdade. Coruche foi também isso uma ‘dor’ comum para pessoas e animais em vários momentos de sofrimento.

Coruche foi uma lição para o Homem e para o Animal mas nunca nenhum deles deverá ser isolado no sofrimento, na dor, na glória ou na desgraça.

Coruche não deveria ter existido mas já que aconteceu que seja exemplo de como o Homem e os outros Animais podem ter Glória ou Dor em conjunto.

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