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Opinião

A GNR NO MUNDIAL DE 2006 – 1ª parte 

A Opinião de Rogério Copeto |Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

Amilcar Matos

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O artigo de Mário Simões publicado aqui na TDS com o título “Treze anos depois…  será desta a segunda vida da Silveirinha?”, fez-me regressar a 2006, quando enquanto Comandante do Destacamento Territorial de Évora me foi atribuída a missão de garantir segurança à nossa Seleção Nacional de Futebol, durante a preparação para o Mundial de 2006 na Alemanha, constituído essa missão como uma das experiências mais gratificantes da minha carreira.

É verdade, como diz Mário Simões, que ninguém fica indiferente ao ver o estado a que chegou o Campo da Silveirinha em Évora, local onde a Seleção Nacional de Futebol, se preparou para o Mundial da Alemanha de 2006, entre 20 e 31 de maio de 2006, e onde realizou um jogo de preparação no dia 27 de maio com a sua congénere de Cabo-Verde, mas também é verdade que a população de Évora teve a rara oportunidade de ver de perto os nossos melhores futebolistas e viver o futebol como até à data não tinha sido possível e provavelmente nunca mais será.

Por isso o presente artigo pretende recordar esses dias de alegria, que se viveram em Évora, bem como dar a conhecer a operação de segurança que foi realizada pela GNR, a única Força de Segurança com a responsabilidade de garantir a segurança às instalações de alojamento dos jogadores e da equipa técnica, o Hotel Convento do Espinheiro e o local dos treinos, onde a seleção se preparou para o Campeonato do Mundo de 2006 e onde realizou um jogo de treino, o Campo da Silveirinha, propriedade do Lusitano Ginásio Clube (LGC). 

Conforme já referido, a Seleção Nacional de Futebol ficou alojada no Hotel Convento do Espinheiro em Évora, fazendo uso do Campo da Silveirinha para treinos, no período entre 20 e 31 de maio de 2006, na preparação do Mundial de 2006, que se realizou de 9 de junho a 9 de julho na Alemanha.

Apesar de toda os portugueses saberem, relembra-se que o selecionador nacional, era na altura Luiz Felipe Scolari (Felipão), tendo convocado 23 jogadores para disputar o Mundial de 2006, cuja surpresa foi ter deixado de fora Vítor Baía, João Pinto e Quaresma, três dos jogadores que a opinião pública mais gostaria de ver na seleção e ainda como meias-surpresas, porque também já se calculava que fosse assim, as chamadas de Bruno Vale, Ricardo Costa e Hugo Viana, ficando assim a seleção completa com os seguintes jogadores: Guarda-Redes: Ricardo (Sporting), Quim (Benfica) e Bruno Vale (FC Porto/Estrela da Amadora); Defesas: Paulo Ferreira (Chelsea), Miguel (Valência), Ricardo Carvalho (Chelsea), Fernando Meira (Estugarda), Caneira (Valência/Sporting), Ricardo Costa (FC Porto) e Nuno Valente (Everton); Médios: Petit (Benfica), Costinha (Dínamo Moscovo), Tiago (Lyon), Maniche (Dínamo Moscovo/Chelsea), Hugo Viana (Valência), Figo (Inter Milão), Deco (Barcelona), Cristiano Ronaldo (Manchester United), Simão (Benfica) e Boa Morte (Fulham); Avançados: Pauleta (PSG), Nuno Gomes (Benfica) e Hélder Postiga (Saint-Étienne).

E foram estes jogadores e equipa técnica, que já tinham levado Portugal à final do Euro 2004, realizado em Portugal, que foram recebidos de braços abertos por todos os eborenses e tal como em 2004, colocaram bandeiras de Portugal nas janelas, nos carros e nas ruas, e celebraram a festa do futebol durante quase duas semanas, em que a Seleção Nacional de Futebol se manteve na cidade de Évora.

Foi também a estes jogadores e respetiva equipa técnica, que a GNR de Évora teve de garantir todas as condições de segurança, de modo a que a sua preparação para o Mundial de 2006, decorresse com a máxima tranquilidade e em segurança, tendo para o efeito sido planeada e executada uma operação de segurança, que justificou o empenhamento de dezenas de militares da GNR de várias valências, assim como a nomeação, pela primeira, vez de um oficial da GNR, para integrar o staff da Seleção Nacional, para ligação entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a GNR, onde já estavam dois oficiais da PSP.

O planeamento da referida operação de segurança, iniciou-se logo após o anuncio oficial pela FPF de que a preparação para o Mundial de 2006, da Seleção Nacional de Futebol, iria decorrer em Évora, tendo por isso sido possível desde o início acompanhar o evoluir das obras do Campo da Silveirinha, que foi construído de raiz, onde por solicitação da GNR foram introduzidas alterações, que não estavam previstas e que muito contribuíram para que a segurança àquela infraestrutura fosse facilitada.

Nesta altura revelaram-se como essenciais os contactos que a GNR realizou com os responsáveis do LGC, na pessoa do seu Presidente, Dr. Morais Santos, bem como os responsáveis pelo Hotel Convento do Espinheiro, na pessoa do seu Diretor, Dr. Dinis Pires, tendo ambos colaborado com a GNR, no planeamento e depois na execução da operação de segurança à Seleção Nacional de Futebol.

A segurança ao local onde a Seleção Nacional de Futebol esteve alojada decorreu durante 12 dias, 24 horas por dia e empenhou diariamente cerca de 50 militares das várias valências da GNR, que cumpriram a sua missão, usando de uma postura, dedicação e empenho exemplares em todas as tarefas que desempenharam, contribuindo assim para que a operação decorresse da melhor forma. 

De referir que planear e executar uma operação a segurança ao Hotel Convento do Espinheiro não era uma novidade para os militares da GNR, porque já em 18 de novembro de 2005, tinha sido necessário montar um dispositivo de segurança no hotel, por motivo da “Cimeira Luso-Espanhola”, que juntou na altura os chefes dos governos português e espanhol, José Sócrates e José Luis Zapatero, não sendo por isso uma missão desconhecida para os militares da GNR de Évora.

Assim a segurança ao Hotel Convento do Espinheiro foi garantida pelo Destacamento Territorial de Évora, durante 24 horas por dia, através de quatro militares do Destacamento de Évora, comandados por um Sargento, com a tarefa de controlar os acessos ao hotel, sendo reforçados por militares do Grupo Territorial de Évora (agora Comando Territorial de Évora), nomeadamente para garantir em permanência o CCTV (circuito fechado de TV) do hotel, de uma patrulha a cavalo e de uma Equipa do Pelotão de Intervenção Rápido (PIR), que asseguraram a segurança do perímetro externo do hotel, acompanhando esta última o autocarro da seleção nas deslocações entre o hotel e o Campo da Silveirinha e vice-versa, de uma Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos Improvisados (EIEEI) e da Secção Cinotécnica que efetuaram o rastreio ao hotel antes da chegada da Seleção e todos os dias ao autocarro.

No percurso entre o hotel e o Campo da Silveirinha, o desembaraçamento de trânsito do autocarro da seleção foi garantido pelo Destacamento de Trânsito de Évora, com dois motociclos e a segurança ao autocarro em todas as deslocações que fez foi garantida por uma Equipa da Companhia de Operações Especiais (agora Grupo de Intervenção de Operações Especiais) do Regimento de Infantaria (agora Unidade de Intervenção), que também garantiu segurança no interior do hotel.

A operação devido à sua elevada duração exigiu aos militares nela empenhados, um esforço acrescido, nunca regateando esse acréscimo de trabalho, tendo cumprindo a missão sempre com elevado profissionalismo, com a vantagem de poderem estar perto dos melhores jogadores de futebol nacionais.

Esta proximidade dos militares da GNR aos jogadores e equipa técnica, permitiu testemunhar em primeira mão o motivo pelo qual o selecionar nacional, Luiz Felipe Scolari, tinha a alcunha de “Sargentão”, pelo simples facto de que nenhum jogador ou elemento do staff se atrever a contrariar, nem mesmo o seu adjunto Flávio Murtosa, nunca admitindo atrasos, sendo exemplo disso a saída do autocarro do hotel para os treinos sem se ter atrasado uma única vez, bem como a paragem do autocarro no regresso ao hotel, na zona do Cemitério do Espinheiro, para realizar a sua caminhada diária até hotel, mesmo contrariando as sugestões da segurança para não o fazer, obrigando por isso o apear dos elementos da segurança para acompanhar o “mister” Scolari, na sua imprescindível caminhada diária a pé.

Terá também sido esta postura e o facto de ser um católico praticante, que a escolha do local do estágio da Seleção Nacional de Futebol, recaiu em Évora, muito por culpa da Igreja de Nossa Senhora do Espinheiro, que faz parte do Hotel Convento do Espinheiro, onde Felipão se deslocava diariamente.

Foi ainda possível conhecer o famoso Lamborghini amarelo do Costinha, estacionado à frente do hotel, e assistir aos momentos de troca de bola entre o Ronaldo e o Deco, sempre que tinham uma bola disponível, estivessem onde estivessem, bem como assistir às saudáveis praxes e brincadeiras entre os jogadores e equipa técnica, sendo o Petit aquele que mais sofria e que foi alvo de uma brincadeira que envolveu DVD’s, a GNR, apreensões e detenções, tudo a fingir.

No próximo artigo daremos a conhecer a operação de segurança executada durante os treinos e o jogo de preparação entre as seleções nacionais de Portugal e de Cabo-Verde, no Campo da Silveirinha, onde desde 2006 se viveram muitos momentos de alegria, e por isso é importante que aquela infraestrutura continue a existir.

Rogério Copeto 

Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

Opinião

Carta aberta a Joacine Katar-Moreira.

A opinião de Gaspar Macedo

Rádio e Televisão do Sul | TDS

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Cara deputada.

Não escrevo esta carta pela sua gaguez, nem por ser mulher e muito menos por ser negra. Escrevo, porque estou farto dessa sua vitimização que reduz todos aqueles que de si discordam a “racistas”, preconceituosos de “extrema-direita”.

Recentemente, acusou até Daniel Oliveira, um jornalista de esquerda, de ser uma versão “mais polida” da extrema-direita. Para mim, o seu problema não é ser gaga mas sim ser uma egocêntrica e por isso não é muito diferente das pessoas que diz tanto ser contra. Vive da divisão, enquanto explora por mediatismo as diferenças e ressentimentos dos dois lados.

A verdade, é que a Joacine tem o direito de se vender constantemente como vitima, de acusar quem quiser de extrema-direita, ou de convenientemente confundir o valor histórico de uma pintura dos emissários indianos que saúdam Vasco da Gama, com uma “apologia” à escravatura ou uma qualquer “prova” de “racismo institucional”. O seu assessor tem o direito a usar saia e os seus apoiantes de empossar as bandeiras que bem entenderem.

A verdade, é que a deputada Joacine é o produto de uma comunicação social – em maioria preguiçosa- que anseia por “escândalos” sem substância, como os mexericos das saias ou as intrigas dos lugares apertados. A mensagem que transporta acaba por ser sobreposta pelas jogadas mediáticas.

Nós que assistimos, para além do direito temos o dever de ignorar tudo isso e falar daquilo que realmente importa, porque continuar a alimentar estas discussões fúteis, em torno de “não-questões”, é dar vida a uma corrente politica de egos frágeis e egocentrismos fortes, onde se fala mais dos políticos do que das politicas e dos problemas das pessoas.

Tenho dito.

Gaspar Macedo

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