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A GNR NO MUNDIAL DE 2006 – 2ª parte

A opinião de Rogério Copeto Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

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Conforme referido no último artigo, no âmbito da preparação para o Mundial 2006, a Seleção Nacional de Futebol realizou no dia 27 de maio pelas 18H00, um jogo de treino com a sua congénere de Cabo-Verde, no Campo da Silveirinha, tendo esgotado a lotação de cerca de 10.000 espectadores.

Para além do jogo de preparação que a Seleção Nacional de Futebol realizou no Campo da Silveirinha, foi também naquele local que foram realizados os treinos de preparação, durante o estágio de preparação, que decorreu entre os dias 20 e 31 de maio de 2006.

A assistência aos treinos estava limitada a 500 espectadores, cujos bilhetes, emitidos pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), eram distribuídos pelas escolas de Évora, tendo, no entanto, sido possível obter autorização da FPF, por duas vezes, para abrir as portas a todos os que quisessem assistir aos treinos e desse modo permitir a milhares de pessoas estarem perto dos seus ídolos, tendo só sido possível devido às garantias de segurança que a GNR deu durante todo o estágio.

Durante os treinos o controlo de acessos foi garantido por militares da GNR, bem como a regularização de trânsito na estrada de acesso ao Campo da Silveirinha e o controlo das entradas nos portões de acesso, com a colaboração dos Assistentes de Recinto Desportivo (ARD) que asseguraram a revista aos adeptos.

Uma Equipa do Pelotão de Intervenção Rápida (PIR) garantiu a segurança aos jogadores da seleção nacional, duas Patrulhas a Cavalo asseguraram a segurança do perímetro exterior do Campo da Silveirinha e uma Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos Improvisados (EIEEI) com a colaboração dos binómios cinotécnicos do Grupo de Évora (agora Comando Territorial de Évora), efetuaram o rastreio a toda a infraestrutura. 

Assim e para além da segurança que diariamente era executada durante os treinos, o Destacamento Territorial de Évora, executou ainda uma operação de segurança ao jogo de preparação entre a Seleção Nacional de Futebol e a sua congénere cabo-verdiana, no dia 27 de maio de 2006, entre as 14h00 às 21h30, tendo para o efeito sido montada uma operação de segurança, no Campo da Silveirinha, que não tem nenhuma das características, que qualquer um dos estádios que foram construídos para o EURO 2004 possuem.

Apesar de todas as dificuldades foi possível colocar dentro do Campo da Silveirinha, antes do início do jogo, cerca de 10.000 espectadores e no fim retirá-los, sem qualquer incidente de maior, tendo, no entanto, sido registadas seis emergências médicas, ficando uma pessoa internada por desidratação, devido ao calor intenso que se fez sentir durante o jogo.

A operação de segurança ao jogo realizou-se nos mesmos pressupostos para o jogos realizados no EURO 2004, com a montagem de um dispositivo de segurança, com três perímetros de segurança (que tendo em conta a dimensão do campo da Silveirinha, coincidiram no mesmo local), “perímetro do organizador”, “perímetro de revista” e “perímetro de dissuasão” e três níveis de intervenção, o 1º nível de intervenção que foi assegurado por uma Força de Investigação Criminal e os ARD’s, o 2º Nível de intervenção que foi assegurado por um Pelotão e o 3º Nível de intervenção que foi assegurado por uma força de Manutenção de Ordem Pública (MOP).

No que diz respeito ao planeamento e preparação do jogo, essa fase iniciou-se muito dias antes, tendo no próprio dia do jogo sido realizada pelas 10H30, uma reunião no Campo da Silveirinha, com o Diretor de Segurança, o Chefe dos ARD’s, o Comandante da Operação, os oficiais de ligação da FPF, o Comandante dos Bombeiros Voluntários e da Cruz Vermelha, a Direção da FPF, os responsáveis do Lusitano Ginásio Clube e a equipa de arbitragem.

Pelas 14H00, foi realizado no estádio o brieffing da operação com todos os militares empenhados, tendo pelas 14H30 sido montado o dispositivo de segurança e pelas 15H30 por ordem do Diretor de Segurança foram abertas as portas ao público.

Um dos momentos mais críticos que se esperava, era a chegada das seleções de Portugal, de Cabo-Verde e da equipa de arbitragem, que deram entrada no Campo da Silveirinha pelas 16H30. E o outro momento seria a chegada dos adeptos da seleção cabo-verdiana, que fizeram a sua chegada pelas 17H25, acompanhados por 6 Spotter’s da GNR e 8 da PSP, tendo os militares da GNR, com os coletes vestidos, reforçado os militares da Força da Investigação Criminal no 1º nível de intervenção e os agentes da PSP, com os coletes despidos, sido colocados no interior do Campo da Silveirinha, à disposição do Comandante da Operação.

Às 17H30 foi dada ordem aos ARD’s que se encontravam na porta de acesso ao Campo da Silveirinha, para acelerarem a revista, por ainda se encontrarem no exterior do campo cerca de 2000 espectadores, tendo às 18H00 se iniciado o jogo com as bancadas completamente cheias.

O jogo terminou pelas 20H00 e às 21H30 já nenhum dos adeptos se encontrava nas imediações do Campo da Silveirinha, cujo o resultado foi de 4-1 a favor da seleção nacional, tendo como autores do golos os seguintes jogadores: 1-0, Pauleta, 50 segundos; 1-1, Fernando Meira, 21 minutos (própria baliza); 2-1, Pauleta, 38 minutos; 3-1, Petit, 60 minutos, e; 4-1, Pauleta, 83 minutos.

Os 149 militares das várias valências da GNR, empenhados na segurança ao jogo, cumpriram a sua missão, usando de uma postura, dedicação e empenho exemplares em todas as tarefas que desempenharam, contribuindo assim para que a operação decorresse da melhor forma, também contribuiu para o sucesso da missão, o planeamento efetuado, que se iniciou em meados de fevereiro, logo após a confirmação oficial por parte da FPF, sendo possível à GNR acompanhar o evoluir da construção do Campo da Silveirinha, desde o inicio, onde por sua solicitação foram introduzidas alterações que não estavam previstas e que muito contribuíram para que a segurança ao mesmo fosse facilitada.

Terminamos lamentando o estado deplorável a que chegou o Campo da Silveirinha, passados 13 anos, local onde já não se realizam jogos, nem da formação do Lusitano, tendo sido construído, não só para colher o estágio da Seleção Nacional de Futebol, mas também para substituir o Campo Estrela, que por não ter condições de segurança, não foi possível no dia 13 de outubro de 2017, realizar-se o jogo entre o Lusitano e o Futebol Clube do Porto, para a terceira eliminatória da Taça de Portugal de futebol, que foi disputado no Estádio do Restelo.

Por isso os Eborenses muito dificilmente assistirão novamente em Évora, a jogos da Seleção Nacional de Futebol ou outros da mesma importância, podendo ser este também um dos fatores que afastam as pessoas do futebol em Évora e ser um dos motivos para que os clubes da cidade de Évora estejam afastados dos campeonatos nacionais de seniores há tanto tempo.

Rogério Copeto 

Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

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Os Monges foram embora e São Bruno também. Imagem do Santo está agora na Igreja de S.Francisco.

A Opinião de Susana Nogueira (Técnica Superior da Igreja de São Francisco de Évora)

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A vida tem destas coisas: mistérios da fé, desígnios de Deus.

Sete irmãos fundaram a Ordem, com São Bruno à cabeça, sete chegaram a Évora em 1587, ficaram alojados no Paço Real de São Francisco enquanto dirigiam as obras do seu mosteiro, e sete regressaram em 1960, após o encerramento do convento determinado pelo decreto de extinção das Ordens Religiosas publicado a 30 de Maio de 1834. No seguimento destes tempos difíceis, os caminhos de franciscanos e cartusianos haviam de se cruzar uma e outra vez.

Com Santa Maria Scala Coeli votada ao abandono, foi com imensa alegria que a imagem seiscentista de São Bruno encontrou o seu lugar na igreja de São Francisco, onde esteve exposta à devoção durante 120 anos. Felizmente, o Convento da Cartuxa foi entretanto reativado pela mão de Vasco Maria Eugénio de Almeida, e a escultura do fundador devolvida à casa-mãe. Um regresso celebrado por uns e contestado por outros devido ao regime de clausura daqueles monges lhe interditarem o acesso.

São Bruno estava onde devia e o convento mantinha a essência dos longínquos anos de 1598, quando os primeiros irmãos lá se instalaram e se tornaram num verdadeiro pilar da vida contemplativa do país. Nos últimos 60 anos viveram em comunhão silenciosa e harmoniosa com a cidade, que aprendeu a acarinhar e respeitar esta comunidade, sobretudo na relação com o padre Antão López que a ninguém deixou indiferente e se tornou o rosto dos cartuxos em Évora. É pois com profundos sentimentos antagónicos que assistimos à partida dos quatro cartuxos de Évora rumo a Burgos e a Barcelona, e ao regresso de São Bruno à igreja de São Francisco, um novo ciclo que encerra um grande ciclo.

A ocasião propícia para este regresso foi a ordenação sacerdotal de Paulo Fonseca, após ter abraçado durante cinco anos o modo de vida cartusiano. O dia, 6 de Outubro, coincide com o da festa litúrgica de São Bruno. Agradecemos a anuição do Arcebispo de Évora e do prior do convento, que considerou ser justo que os Cartuxos o pedissem e é justo que a Diocese o peça. Agradecemos ainda mais ao padre Antão as preciosas informações que possibilitaram a identificação de um dos altares de São Francisco como o altar original de São Bruno, então venerado na sala do capítulo da Cartuxa. Bem haja. Nas palavras do Cónego Manuel Ferreira, pároco desta igreja, “imploro a bênção de Deus para os monges da Cartuxa Scala Coeli”.

A Opinião de Susana Nogueira (Técnica Superior da Igreja de São Francisco de Évora)

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